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A Nova Onda do Imperador
(The Emperor`s New Groove)
78 min - Animação - 2000 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 29/12/2000
Data de Estreia Original: 15/12/2000
Querendo dar de presente a si mesmo um Palácio de Verão, o mesquinho e arrogante imperador Kuzco decide que o palácio será construído no topo de um morro onde mora Pacha, um pobre e simpático camponês. Enquanto isso, a maligna conselheira Yzma bola um plano para matar Kuzco e tomar para si o Império. Mas o plano dá errado e Kuzco não morre, sendo transformado em uma lhama. O imperador acaba dependendo do humilde Pacha para retornar à sua forma original e retomar o trono.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Mark Dindal. Com as vozes de David Spade, John Goodman, Eartha Kitt, Patrick Warburton e Wendie Malick (versão original); Selton Mello, Humberto Martins, Marieta Severo e Guilherme Briggs (versão dublada em português).

Se você costuma assistir aos longas de animação da Disney, já deve estar mais do que habituado ao estilo das histórias produzidas pelo estúdio: normalmente, estes filmes giram em torno de um personagem que se sente deslocado no ambiente em que vive e que luta, ao longo da trama, para ser `reconhecido` por seus semelhantes. Além disso, o mocinho (ou mocinha) deve, invariavelmente, enfrentar vilões grandiosos enquanto tenta conquistar seu interesse amoroso. Para completar a fórmula, a presença de vários números musicais é garantida.

Pois A Nova Onda do Imperador não segue nenhuma das convenções acima: seu protagonista é excessivamente mimado (e luta para continuar a ser assim), a dupla de vilões é ridiculamente inepta, não há nenhum romance em toda a história e o filme conta com um único número musical. Além disso, esta nova produção da Disney não possui uma única cena carregada de suspense e/ou drama (outra marca registrada do estúdio), optando, ao invés disso, por investir na comédia rasgada. Desta vez, o único objetivo dos animadores era provocar o riso - e eles foram extremamente bem-sucedidos nesta tarefa.

O filme gira em torno do arrogante Imperador Kuzco, um jovem mimado cujo único objetivo na vida é manter-se `na onda`. Certo dia, ele comete o grave equívoco de demitir sua conselheira Yzma, uma mulher vingativa que decide matá-lo e assumir o trono. Porém, uma trapalhada do avoado Kronc, assistente de Yzma, acaba transformando o monarca em uma lhama e, para complicar ainda mais a situação, o `animal` vai parar nas mãos de Pacha, um pacífico camponês que não gosta nada do Imperador, já que este pretendia destruir seu lar a fim de construir uma mansão de veraneio. A partir daí, Kuzco e Pacha se envolvem em diversas confusões enquanto tentam retornar ao palácio e encontrar um antídoto que faça o Imperador voltar ao normal.

Por incrível que pareça, o grande charme de A Nova Onda do Imperador reside no caráter desprezível de seu protagonista: extremamente egocêntrico, Kuzco não mede esforços no intuito de atrair a atenção para si. Em certo momento, ele chega a interromper o filme (já que também é o narrador) a fim de lembrar o espectador de que aquela história é sobre ele, e não sobre o bondoso Pacha. Aliás, a lhama e o camponês formam uma dupla cômica fabulosa - se fossem de carne-e-osso, eu não hesitaria em afirmar que eles estabelecem uma química perfeita. Seja como for, eles não são os únicos: a dupla de vilões formada por Yzma e Kronc também é hilária - com destaque para este último, que acaba sendo o responsável pelas maiores gargalhadas da história.

Devo dizer, aliás, que o roteiro escrito por David Reynolds é excelente, abusando de um estilo de humor rasgado que foge do padrão Disney - pelo menos, do padrão Disney de longa-metragem, já que lembra - e muito - o tipo de comédia presente nos curtas produzidos pelo estúdio (basta observar a gag envolvendo um inocente esquilinho e seu balão). Na verdade, o filme chega mesmo a ultrapassar o limite do besteirol, como na cena em que a `câmera` se afasta de tal maneira para dar uma dimensão da altura do palácio do Imperador que acaba registrando uma cena que não tem nada a ver com a história que está sendo contada (o que imediatamente leva o Narrador a protestar, é claro). Nem mesmo a velha piada do herói que se traveste para escapar de seus perseguidores (tão comum nos filmes do Pernalonga) ficou de fora desta produção.

O resultado não poderia ser melhor, já que chega a ser difícil avaliar quem ri mais das inúmeras gags presentes no filme: os adultos ou as crianças. Aliás, a curta duração de A Nova Onda do Imperador (apenas 78 minutos) contribui ainda mais para manter o ritmo da história sempre em alta rotação - e a ausência de números musicais é um fator importantíssimo neste aspecto. O fato é que até mesmo a simplicidade dos traços dos animadores atua de maneira positiva nesta produção, já que o rebuscamento visual, característica marcante da Disney, poderia acabar desviando a atenção do espectador para as imagens, ofuscando a ação.

Com relação à dublagem (sempre um fator importante, já que as produções Disney raramente são lançadas com legendas nos cinemas brasileiros), devo reconhecer que o trabalho de adaptação foi bem realizado: a escalação das vozes seguiu o bom-senso e a distribuição dos efeitos sonoros entre os diversos canais foi mantida. Minha única restrição seria ao tom `sussurrado` adotado pelo ator Selton Mello, que dubla Kuzco - algo que dificulta um pouco o pleno entendimento do que está sendo dito (seu sotaque carioca, em contrapartida, caiu como uma luva no personagem). Enquanto isso, Marieta Severo e Humberto Martins (como Yzma e Pacha) fazem um bom trabalho, provando que nem sempre a escalação de celebridades na versão brasileira leva a resultados negativos (ao contrário do que aconteceu com Hebe Camargo e Fábio Assunção em Dinossauro). Mesmo assim, o destaque da versão dublada de A Nova Onda do Imperador fica por conta de Guilherme Briggs, que, com sua voz imponente (e `elástica`), cria uma caracterização hilária para o não menos hilário Kronc.

Curiosamente, este projeto foi concebido, inicialmente, como uma produção `séria`, seguindo o estilo de obras como Mulan e O Rei Leão. Felizmente, o diretor Mark Dindal alterou este conceito. Não que estes filmes sejam ruins (na verdade, são excepcionais), mas já era hora da Disney lançar um longa-metragem despretensioso, já que a indicação de A Bela e a Fera como Melhor Filme, em 1991, parece ter criado uma verdadeira obsessão por parte do Estúdio em repetir o feito. Desta vez, não precisaremos mergulhar em uma história de determinação e proezas heróicas: A Nova Onda do Imperador só está atrás de risadas. E o espectador responde com prazer.
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11 de Janeiro de 2001

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