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Álbum de fotos da produção
por Redação Cinema em Cena

Álbum de fotos da produção

 

Todas as fotos por Fernando Meirelles. Clique nas imagens para ampliá-las.

Fernando Meirelles e Daniel Rezende, montador de Cidade de Deus, no almoço dos indicados ao Oscar 2004.

No intervalo das filmagens em Berlim, a atriz Anneke Kim Sarnau e o ator Ralph Fiennes, protagonista de The Constant Gardener.

O diretor de fotografia César Charlone ajusta a câmera para a filmagem de uma cena em Berlim.

Fernando Meirelles e seu filho Quico na locação em Kiambu, Quênia.

Ralph Fiennes fazendo câmera para uma cena rodada em Nairobi.

Acampamento da produção em Lake Magadi, Quênia.

33ª. parte: Talvez o último
por Redação Cinema em Cena

Vôo Johanesburgo/São Paulo, 15/08/2004

Pensamento barato: existem diretores que são na verdade escritores, o foco de seus filmes está na estrutura narrativa, no desenho dos personagens, nas palavras usadas nos diálogos. Há diretores/fotógrafos ou diretores/diretores de arte, que contam suas histórias a partir da construção da imagem, Peter Greenaway, Julian Schnabel, Terry Gilliam, irmãos Scott. Há os diretores/produtores, os diretores/atores, ou os diretores/músicos, como o David Lynch. Se isso faz algum sentido, nesta linha, eu me incluiria na tribo dos diretores/montadores. Sinto que vim para o Quênia e para os outros países onde estivemos só para juntar material. O filme mesmo começa a ser feito agora, em São Paulo, onde os pedaços deverão se encontrar.

Há umas seis maneiras diferentes para começar este filme e um igual número de possibilidades de final. Posso abrir apresentando o Justin, ou então só mostrar a Tessa, como se ela fosse a protagonista – desta forma, sua morte surpreenderia mais o espectador (com exceção de quem está lendo este diário, para estes, sinto muito, o filme não vai ter nenhuma graça, pois estou entregando as surpresas). A idéia é montar esta história em ordem cronológica, começando em 2003, em Londres, e acabando em 2005, no Sudão, para depois experimentar inverter a ordem de muitas maneiras. Em Cidade de Deus, fizemos muitas destas inversões de ordem de cenas e deu certo. É essa certeza, que eu poderia chamar de esperança, o que me fez dormir todas as noites.

Para não me auto-sinucar, rodamos algumas imagens extras mesmo não sabendo onde poderão entrar. Cenas genéricas, que poderão ajudar a criar passagens de tempo, ou servirão para colocar algum off, caso necessário. Ao invés de ir fechando este filme como deveria, quanto mais o tempo passava, mais abri possibilidades de mudanças futuras. Se há uns três meses eu tinha alguma idéia do que seria The Constant Gardener, agora, pouco resta dela. Sei que nestas latas que estão indo para Londres há uma história de amor, uma trama sobre o mundo corporativo, algumas questões da África contemporânea, inserts de documentários sobre a indústria farmacêutica, um mundo muito civilizado e um mundo extremamente primitivo. Há bilionários e gente muito pobre. Há seqüências em um deserto a 40 graus e outras na neve, a menos 20. São muitas “texturas”. Difícil imaginar o que vai resultar esta justaposição. “O material é o rei”, diz o Humberto Martins. Pode resultar num filme rico e diverso ou num pastiche sem foco narrativo.

Então alguém pergunta:

- Isso não te deixa ansioso?

- Muito.

Mas agora é tarde para qualquer consideração do gênero. Só resta a mágica da montagem. Nos próximos três meses, estarei com a Claire diariamente tentando fazer esta mágica nos dois AVIDs Pal que estão sendo instalados no meu escritório. Além da Claire e do seu assistente, vou convidar dois montadores brasileiros amigos para dar uma força. Depois, tem um período de projeções em Londres e Nova York, para ver a reação de público-teste. Certamente, resultarão em novas mexidas na montagem, eventualmente alguma refilmagem.

Talvez eu volte a escrever mais um pouco sobre a música ou sobre o processo de finalização. Se isso acontecer, será só lá pelo Natal. Caso contrário, este diário acaba aqui.

Escrevê-lo foi mais útil do que imaginei, ajudou a pensar o trabalho e refletir sobre o que aprendi. Se fizer outros filmes na vida vou adotar o hábito. Foi um semestre intenso, mas sei que daqui a dois anos, se não fosse por estas páginas, estas lembranças teriam se dissolvido e, como o andróide no final de Blade Runner, eu me perguntaria: “Para onde elas terão ido?

O filme fica pronto mesmo em março. O lançamento está previsto para outubro de 2005, mas nestas alturas já não estarei mais por perto. Coloquei até no meu contrato que farei apenas uma premiere americana e uma inglesa, a do Brasil vai de lambuja. Não é frescura, a energia e o tempo que um lançamento requer é quase o mesmo de fazer um novo filme. Prefiro fazer um outro filme.

Obrigado para quem teve a paciência de ler. Obrigado a quem enviou mensagens de estímulo ou idéias, e obrigado ao amigo Pablo Villaça e seu Cinema em Cena, que me fez o convite, deu o espaço e ainda teve o trabalho de ficar corrigindo algumas informações equivocadas, além dos eventuais erros de ortografia e concordância.

Hasta la vista, baby. 

Fernando Meirelles

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