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Pearl Harbor
(Pearl Harbor)
183 min - Ação - 2001 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 01/06/2001
Data de Estreia Original: 25/05/2001
Dois grandes amigos juntam-se à Aeronáutica americana às vésperas da Segunda Guerra Mundial e, por ironia do destino, acabam se apaixonando pela mesma mulher. O triângulo amoroso acaba atingindo um clímax dramático justamente no dia em que os japoneses bombardeiam a base naval americana situada em Pearl Harbor, no incidente que levou os Estados Unidos a entrarem na Guerra.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Michael Bay. Com: Ben Affleck, Josh Hartnett, Kate Beckinsale, Jon Voight, Cuba Gooding Jr., Tom Sizemore, Ewen Bremner, James King, Mako, Dan Aykroyd, William Fichtner e Alec Baldwin.

Só mesmo um diretor como Michael Bay poderia transformar o trágico ataque japonês à base naval americana de Pearl Harbor, durante a 2ª Guerra Mundial, em puro entretenimento. Apesar de ter declarado em inúmeras ocasiões que este seu novo filme seria uma `homenagem` aos milhares de homens e mulheres mortos naquela ocasião, o cineasta parece ter desistido de seu nobre propósito e decidido se ater ao gênero que o consagrou: o da ação inconseqüente, absurda e repleta de clichês. Por um lado, é impossível negar que o diretor foi bem-sucedido, já que Pearl Harbor é realmente um filme que diverte; por outro, é uma pena pensar que `diversão` foi o máximo que ele conseguiu extrair de um fato tão brutal.

Assim como Roland Emmerich e Peter Hyams, Bay tem o hábito de sempre colocar os efeitos especiais acima da história que pretende contar. Assim, os personagens e situações presentes no roteiro de Pearl Harbor servem como mera desculpa para que o cineasta possa encher os olhos do espectador com explosões, rasantes de aviões e outras proezas digitais criadas pelos magos da Industrial Light & Magic. Aliás, até mesmo o roteirista Randall Wallace chegou a declarar, em entrevista recente, que seu script foi radicalmente alterado por Michael Bay e seu mecenas, o produtor Jerry Bruckheimer, afirmando não ser o responsável pelos péssimos diálogos presentes no filme (em certo momento, por exemplo, o personagem de Ben Affleck diz para a enfermeira vivida por Kate Beckinsale que está sentindo dores, e esta devolve: `É seu nariz que está doendo`. A resposta inspirada de Affleck: `Não, é meu coração`.

Na verdade, toda a trama que gira em torno do triângulo amoroso protagonizado por Affleck, Beckinsale e Josh Hartnett é de uma obviedade impressionante, jamais envolvendo o espectador em função de seu desenvolvimento esquemático e de suas caracterizações estereotipadas. Aliás, arrisco dizer que o tal `caso de amor` não poderia importar menos, já que sua resolução (péssima, por sinal) provoca apenas indiferença na platéia. Muito mais interessante é o relacionamento entre dois personagens secundários, o gago Red (Ewen Bremner) e a enfermeira Betty (James King), mas, infelizmente, o filme não parece perceber isso, preferindo se concentrar na rivalidade entre os amigos Rafe e Danny - que, diga-se de passagem, é simplesmente ignorada na conclusão da história.

Em contrapartida, o filme ganha novo fôlego durante a seqüência que ilustra o ataque a Pearl Harbor. Extremamente realista, este é o ponto alto da projeção, prendendo o espectador à cadeira graças aos fantásticos efeitos visuais e à direção eletrizante de Michael Bay (sempre competente do ponto de vista estético), que aproveita ao máximo a belíssima fotografia de John Schwartzman e a excelente edição sonora realizada pela equipe de Christopher Boyes (o mesmo de Titanic). Além disso, o diretor também consegue manter um bom clima de tensão durante o ato final da trama, que recria o bombardeio a Tóquio comandado pelo heróico General Doolittle (Alec Baldwin).

Aliás, heroísmo é tema recorrente na filmografia do cineasta - e, portanto, não há um único personagem que se comporte de maneira diversa em Pearl Harbor. Desta forma, é praticamente impossível analisar as atuações dos integrantes do elenco desta produção, já que todos investem no lado viril e estóico de seus personagens. Mesmo assim, vale mencionar os belos desempenhos de Cuba Gooding Jr. e Jon Voight, que roubam as (poucas) cenas em que aparecem (além disso, é sempre bom ver Dan Aykroyd em papéis mais sérios).

Seguindo a onda do `politicamente correto`, Pearl Harbor foge das análises políticas sobre as causas do ataque de 1941 e procura evitar até mesmo mostrar muito sangue na tela (com o claro objetivo de reduzir sua censura e aumentar seu público). Com isso, a guerra ilustrada por Michael Bay torna-se relativamente inócua e - excetuando-se a adrenalina das cenas de ação - jamais consegue provocar a reflexão do espectador. Patriotadas à parte (e o filme é cheio delas), Pearl Harbor acaba despertando um sentimento de que a violência pode ser necessária, já que a platéia é levada a vibrar durante a retaliação americana aos japoneses. E este é o maior pecado do filme: ao contrário do maravilhoso O Resgate do Soldado Ryan, que ilustrava com precisão os horrores e a selvageria injustificável da guerra, Pearl Harbor glamouriza este tipo de conflito, como se todos devêssemos gritar `Yes!` no momento em que Tóquio é bombardeada.

Não deixa de ser curioso que, em certo momento, os personagens deste filme assistam a O Grande Ditador: no mínimo, é interessante observar que Chaplin demonstrava ter, há 60 anos, mais lucidez do que o `moderno` Michael Bay. Pearl Harbor é uma grande diversão, é verdade - mas O Grande Ditador também o é, e com a vantagem de ser um belo estudo sobre a degradação provocada pela guerra.
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1o de Junho de 2001

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