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O Dia Depois de Amanhã
(The Day After Tomorrow)
124 min - Ação - 2004 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 28/05/2004
Data de Estreia Original: 24/05/2004
Um sério problema de aquecimento global traz conseqüências desastrosas para a Terra.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Roland Emmerich. Com: Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal, Emmy Rossum, Dash Mihok, Ian Holm, Jay O. Sanders, Sela Ward, Arjay Smith, Adrian Lester, Tamlyn Tomita, Kenneth Welsh.

Ok, antes de mais nada, uma confissão: eu gosto de Independence Day. Aquele é, para mim, o que os americanos chamam de guilty pleasure: um filme que apreciamos mesmo conhecendo suas graves deficiências (isto é, todo o terceiro ato da história, incluindo o ridículo discurso feito pelo Presidente Bill Pullman). E, embora a destruição da Casa Branca e do Empire State Building não tenha nada de mais (o uso de miniaturas é óbvio e pouco convincente), devo dizer que apreciei o suspense criado pelo diretor Roland Emmerich durante os primeiros 30 minutos de projeção e que fui conquistado pelo carisma dos personagens de Jeff Goldblum e Will Smith. Curiosamente, os motivos que me levam a recomendar O Dia Depois de Amanhã, novo trabalho do cineasta alemão, são exatamente opostos aos anteriores: habitado por personagens desinteressantes e esquemáticos, o filme ganha vida graças ao espetáculo de destruição que proporciona, compensando a falta de impacto dramático através dos excepcionais efeitos criados em computador.

Depois de utilizar alienígenas e um lagarto gigante `radioativo` para destruir Nova York e outras cidades americanas, Emmerich desta vez adotou as alterações ambientais provocadas pelo Homem como desculpa para criar seu apocalipse habitual. O curioso é que, de acordo com diversos cientistas, a maior parte dos fenômenos vistos ao longo do filme é plausível, embora estes jamais pudessem ocorrer em um período de tempo tão curto (mas, se nos dispusemos a aceitar a possibilidade da Terra ser atacada por aliens que utilizam nossos satélites como cronômetros, por que não aceitaríamos esta `liberdade criativa` de O Dia Depois de Amanhã?). Assim, depois de acompanharmos as explicações do paleoclimatologista interpretado por Dennis Quaid, somos bombardeados com uma longa e impressionante seqüência na qual o cineasta destrói Los Angeles com tornados que fazem aqueles vistos em Twister parecerem brisas – além, é claro, da atenção especial devotada à sua vítima favorita, Nova York, que é inundada, coberta de neve e posteriormente congelada. E, como não poderia deixar de ser, Emmerich recria a famosa tomada na qual vemos uma onda de destruição avançar pelo corredor formado pelos prédios da cidade (com a diferença que, ao invés do fogo, temos água).

Da mesma forma, o filme constrói cuidadosamente a tensão que precede o golpe final: os planos que mostram milhares de pássaros atravessando os céus de Nova York são impressionantes, assim como aquele que mostra a formação de um tornado. Mas os momentos mais interessantes da projeção são aqueles que mostram, de forma irônica, o desespero dos norte-americanos barrados pela polícia mexicana enquanto tentam cruzar a fronteira rumo ao Sul. Aliás, o roteiro (escrito por Emmerich e Jeffrey Nachmanoff) merece créditos por suas relevantes críticas à (falta de) política ambiental do governo Bush, incluindo a decisão do presidente americano (sempre disposto a provar sua incompetência) em retirar o país do importante Tratado de Kyoto – e obviamente não é coincidência que o ator Kenneth Welsh, que interpreta o vice-presidente americano, seja praticamente sósia de Dick Cheney, vice de George W. Bush.

Infelizmente, O Dia Depois de Amanhã torna-se frágil ao alterar seu foco de atenção, quando praticamente passa a ignorar a tragédia coletiva representada pela `nova Era do Gelo` e se dedica aos problemas individuais de seus personagens. Ora, considerando-se que bilhões de pessoas acabaram de morrer congeladas, quem se importa com a paixãozinha que Jake Gyllenhaal sente por Emmy Rossum? E por que deveríamos nos preocupar com a tola jornada empreendida por Quaid, que decide viajar de Washington a Nova York para encontrar o filho (arriscando a vida de mais dois colegas), embora saiba que isto não fará a menor diferença, já que jamais chegará a tempo de resgatá-lo? (A viagem torna-se ainda mais estúpida ao descobrirmos que, se esperasse apenas dois ou três dias, o sujeito poderia ir de helicóptero.) E já que toquei no assunto, devo dizer que não vejo muito propósito em salvar um bando de ignorantes que, em uma biblioteca cheia de estantes, mesas e cadeiras, decidem queimar livros para manter a lareira acesa.

A maioria dos filmes de propaganda aposta em argumentos extremos e quadros de exagero a fim de convencer os espectadores de que sua causa é justa: basta assistir às produções do gênero realizadas por americanos e alemães durante a Segunda Guerra para constatar este fato. E, com um pouco de benevolência, podemos classificar O Dia Depois de Amanhã como um filme de propaganda não exatamente de cunho político, mas ambientalista. E, neste caso, sua fragilidade narrativa pouco significa frente à boa causa que representa. Além do mais, é sempre divertido ver (nas telas de cinema) ondas gigantes cobrindo uma metrópole, não é mesmo?
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28 de Maio de 2004

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