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A Cartada Final
(The Score)
124 min - Policial - 2001 (Estados Unidos / Alemanha)
Data de Estreia no Brasil: 02/11/2001
Data de Estreia Original: 13/07/2001
Experiente ladrão decide se aposentar depois de acumular uma incalculável riqueza ao longo de sua bem-sucedida carreira. É quando um vigarista novato começa a chantageá-lo no intuito de levá-lo a cometer um último golpe.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Frank Oz. Com: Marlon Brando, Robert De Niro, Edward Norton, Angela Bassett, Gary Farmer, Jamie Harrold e Paul Soles.

Sempre que me perguntam qual é meu ator favorito, respondo sem hesitar: Marlon Brando. Não existe, para mim, intérprete que se compare ao responsável por criações tão magníficas quanto o animalesco Stanley Kowalski, o frustrado Terry Malloy, o grandioso Don Corleone ou o fanático Coronel Kurtz. Na verdade, ao longo dos anos, vi e revi seus trabalhos inúmeras vezes e confesso ser capaz, hoje em dia, de enumerar facilmente todos os pequenos `momentos Brando` que permeiam suas performances, como retirar o fiapo do vestido de Kim Hunter em Uma Rua Chamada Pecado; calçar a luva de Eva Marie Saint em Sindicato de Ladrões; sufocar ao receber a notícia da morte de Santino em O Poderoso Chefão; ou coçar a careca ao conversar com Martin Sheen em Apocalypse Now. Qualquer filme, por pior que seja, sempre é redimido parcialmente por sua mágica presença (veja O Bravo, por exemplo). Assim, foi com imensa ansiedade que me preparei para conferir A Cartada Final, que traz Brando ao lado de dois outros atores que certamente despertam minha admiração: Robert De Niro e Edward Norton.

Escrito por Kario Salem, Scott Marshall Smith e Lem Dobbs, o filme traz De Niro como Nick, um veterano ladrão de jóias que, depois de 25 anos, finalmente prepara-se para a aposentadoria. É quando acaba sendo convencido por seu sócio, Max (Brando), a cometer um último golpe e roubar um cetro de ouro que está no depósito da alfândega de Montreal. Nick, porém, passa a enfrentar três grandes dilemas ao aceitar a proposta: 1) ele nunca havia concordado em agir em sua própria cidade: 2) ele não confia em Jack (Norton), o informante de Max dentro da alfândega; e 3) ele havia prometido à sua namorada, Diane (Bassett), que abandonaria a vida de crimes. Além disso, a empreitada envolve riscos colossais e tem boas chances de fracassar. Mas o valor do cetro é alto demais para que ele possa resistir...

A boa notícia é que A Cartada Final funciona bem como `filme de assalto`. Cientes de que histórias como esta sempre atraem o público (é divertido torcer pelos vilões), os roteiristas são inteligentes ao concentrarem a trama nos preparativos para o golpe em si e nas reviravoltas de última hora que ameaçam os planos dos protagonistas. Por outro lado, é inevitável constatar que o valor do filme, enquanto entretenimento, nada tem a ver com as performances dos três astros, já que esta produção seria basicamente a mesma caso os bandidos fossem interpretados por – digamos – Sean Connery, Dustin Hoffman e Matthew Broderick (que se reuniram, em 1989, no decepcionante Negócios de Família, que também abordava um tema parecido ao deste filme).

É claro que isso não deixa de ser frustrante: muito melhor teria sido ver estes três ótimos intérpretes comprometidos com um projeto cujos personagens fossem complexos, interessantes – algo no estilo do excelente Fogo Contra Fogo, que, apesar de também envolver assaltantes profissionais, contava com personagens ricos e envolventes. Em A Cartada Final, o máximo que o trio de roteiristas faz é fornecer alguns poucos atrativos para seus protagonistas: Brando tem a chance de interpretar um bandido meio efeminado; De Niro sofre por sua garota; e Norton pode se soltar na criação do alter ego de seu personagem, um faxineiro com problemas físicos e mentais. Infelizmente, estes artifícios mais parecem brinquedos nas mãos destes três talentosos atores e, assim, não representam desafio algum.

Aliás, o único que realmente enfrenta uma espécie de desafio nesta produção é o diretor Frank Oz, que, habituado a comédias leves (ele freqüentemente faz parceria com Steve Martin), é obrigado a comandar uma aventura com momentos de ação e boa dose de tensão. Surpreendentemente, o cineasta se sai muito bem e cria um filme eficiente, que flui bem na tela e jamais deixa o espectador confuso a respeito do que está acontecendo. Sua insuspeita habilidade é comprovada em duas seqüências especialmente tensas: aquela que se passa em um parque e, é claro, a que encerra o filme e envolve diversas ações paralelas (méritos também devem ser atribuídos à ótima montagem de Richard Pearson, que, como Oz, estréia no gênero).

Apesar de uma péssima (e incoerente) reviravolta final, o filme merece ser conferido (mesmo que fosse terrível, valeria como curiosidade por reunir, no mesmo quadro, as duas encarnações de Vito Corleone). Resta a esperança de que, num futuro próximo, possamos ver Marlon Brando assumir um personagem realmente interessante – talvez pela última vez, já que tem trabalhando cada vez menos e não é mais jovem. E se este hipotético filme reunir atores do calibre de De Niro e Norton, tudo ficará ainda melhor – pois, apesar de suas qualidades, A Cartada Final certamente ficou nos devendo o tão prometido duelo de interpretações.
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31 de Outubro de 2001

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