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Sinais
(Signs)
106 min - Suspense - 2002 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 20/09/2002
Um ex-padre tem sua fé desafiada quando estranhos círculos aparecem desenhados nas plantações de sua fazenda.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por M. Night Shyamalan. Com: Mel Gibson, Joaquin Phoenix, Rory Culkin, Abigail Breslin, Cherry Jones, Patricia Kalember e M. Night Shyamalan.

Entre as várias contribuições valiosas que o mestre Alfred Hitchcock fez para o Cinema, encontra-se a definição de `McGuffin`: de acordo com o cineasta, este termo refere-se a um determinado elemento da trama que serve para prender a atenção do espectador ou até mesmo para guiar a lógica do roteiro, podendo ser descartado a partir do momento em que serve ao seu propósito. Exemplos clássicos de `McGuffin` residem na subtrama relacionada ao roubo cometido por Janet Leigh em Psicose e no conteúdo da maleta vista em Pulp Fiction. Já em Sinais, novo trabalho de M. Night Shyamalan, podemos classificar como `McGuffin` todas as referências feitas a alienígenas, já que estes atuam, na realidade, como simples desculpa para que o diretor possa criar situações de suspense que prendam o público à poltrona do cinema.

Neste filme, Mel Gibson interpreta Graham Hess, um ex-pastor que abandonou a Igreja depois da morte de sua esposa em um acidente de carro. Vivendo ao lado dos dois filhos e de seu irmão caçula, o sujeito é surpreendido, certo dia, ao encontrar enormes círculos desenhados em sua plantação de milho. Aos poucos, novas figuras vão surgindo em plantações espalhadas ao redor do mundo, sugerindo possíveis intervenções alienígenas em nosso planeta. Enquanto tenta descobrir o que realmente está ocorrendo e luta para proteger sua família, Graham tenta lidar com suas mágoas e com a perda de sua antiga fé.

Depois de se consagrar como um diretor talentoso graças a O Sexto Sentido e Corpo Fechado, Shyamalan volta a comprovar sua habilidade em manipular as emoções do público em Sinais: construindo a história de forma lenta e cuidadosa, o cineasta consegue criar um clima de tensão constante, como se algo assustador estivesse sempre prestes a saltar das sombras na direção da platéia. Sempre atento ao ritmo da história, ele sabe, como poucos, valorizar a força do silêncio em um gênero que, normalmente, apela para recursos de trilha sonora para provocar sustos (por outro lado, não são todos que aprovam a `lentidão` das produções comandadas pelo sujeito, como provou Corpo Fechado).

No entanto, é importante salientar que, desta vez, a direção de Shyamalan não é perfeita: se em seus filmes anteriores tínhamos a impressão de que cada enquadramento e movimento de câmera eram os ideais para suas respectivas tomadas, desta vez sou obrigado a dizer que, em vários momentos, tive a clara impressão de estar assistindo a um mero exercício de estilo, como se o cineasta estivesse empregando suas velhas técnicas sem ter exatamente certeza de que estas se aplicariam em todos os casos (um bom exemplo pode ser encontrado na cena em que a policial Caroline Paski discute, na sala de jantar, o problema dos círculos encontrados na fazenda).

Além disso, o roteiro de Shyamalan também decepciona: depois de propor uma série de perguntas com relação à natureza dos sinais vistos na plantação e às possíveis intenções dos `extraterrestres` (não direi se a causa de tudo é mesmo alienígena), o diretor simplesmente descarta estas questões ao apresentar respostas absurdas e pouco convincentes. E o que é pior: depois de criar um suspense arrebatador durante a seqüência que se passa no porão da casa de Graham, Shyamalan falha ao resolver a situação de forma absurdamente súbita: quando pensamos que tudo está começando, somos surpreendidos ao constatar que o filme está praticamente no fim. Como se não bastasse, o cineasta insiste em manter sua marca registrada de incluir revelações surpreendentes, mas, desta vez, a `constatação` feita pelo personagem de Gibson beira o ridículo, já que mistura indiscriminadamente temas distintos (religião e ciência) e implica na ingênua conclusão de que `nada ocorre ao acaso` (e quanto às demais famílias do planeta?).

Em contrapartida, Shyamalan faz um trabalho excepcional como diretor de atores, já que arranca boas interpretações de todo o elenco: Gibson mostra-se vulnerável e confuso sobre o que está ocorrendo; Phoenix cativa o público com seu bom coração e sua hilária simplicidade; e as crianças vividas por Rory Culkin e Abigail Breslin jamais deixam de ser convincentes. Para finalizar, também é importante salientar a qualidade da trilha sonora composta por James Newton Howard, que utiliza com inteligência acordes de trilhas clássicas do suspense, como Psicose e a série Além da Imaginação.

Sinais é, sem dúvida, um filme eficiente, já que, durante a projeção, o espectador recebe exatamente aquilo pelo qual pagou: tensão e sustos. Infelizmente, ao contrário dos dois trabalhos anteriores do cineasta (que tinham finais bem resolvidos e inteligentes), os problemas têm início a partir do momento em que saímos do cinema e começamos a pensar sobre o que acabamos de ver. É então que Sinais realmente desaponta.

(Observação final que deve ser lida apenas por quem já assistiu ao filme: não é estranho que uma espécie supostamente tão evoluída resolva invadir um planeta rico em um elemento que lhe faz tão mal?)
``

19 de Setembro de 2002

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