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Mulher-Gato
(Catwoman)
104 min - Ação - 2004 (Estados Unidos, Austrália)
Data de Estreia no Brasil: 13/08/2004
Data de Estreia Original: 23/07/2004
Patience Phillips, uma cientista veterinária, decide lutar contra os planos perversos da empresa de cosméticos onde trabalha. Para isso, ela assume a identidade da Mulher-Gato.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Pitof. Com: Halle Berry, Benjamin Bratt, Sharon Stone, Lambert Wilson, Frances Conroy, Alex Borstein.

Em um de seus vários ensaios brilhantes, Susan Sontag descreveu o estilo camp como algo que `abusa do artifício, do exagero e da estilização em vez de apostar no conteúdo`. Já o IMDb oferece a seguinte definição: `uma forma de paródia cômica em que as convenções e clichês de uma forma dramática (...) são deliberadamente exagerados ao ponto do ridículo`. Não há dúvida, portanto: Mulher-Gato é um exemplo inegável de produção camp – com a ressalva de que seus realizadores certamente não tinham a intenção de criar algo do gênero, e que este resultado veio de forma involuntária, graças às más escolhas do cineasta Pitof. Ainda assim, camp é camp e, portanto, o filme faz rir, o que o salva em parte do desastre absoluto.

Escrito por John Brancato, Michael Ferris e John Rogers, o roteiro gira em torno de Patience Phillips, uma designer que acidentalmente descobre que a empresa para a qual trabalha está prestes a lançar uma linha de cosméticos que, além de provocar dependência em seus usuários, ainda destrói a pele de quem deixa de utilizá-la. Porém, depois de ser morta pelos vilões, ela é ressuscitada por um gato com poderes sobrenaturais e se transforma em uma heroína que se dedica a frustrar os projetos de seus ex-patrões.

Sim, você leu corretamente: além de plagiar uma das subtramas de Batman – O Filme (os produtos sabotados pelo Coringa), Mulher-Gato desvirtua completamente a origem da personagem e não consegue encontrar bandidos melhores do que empresários da indústria de cosméticos. Além disso, é difícil compreender como o trio de roteiristas pôde acreditar que seria uma boa idéia criar uma `linhagem de Mulheres-Gato` que, de acordo com o filme, `não são contidas pelas regras da sociedade` – uma fala ridícula que ilustra com propriedade a qualidade do roteiro.

Contando com uma trilha sonora que parece ter saído de uma produção pornô, o longa evidencia a origem profissional do diretor Pitof, que passou a maior parte de sua carreira supervisionando a criação de efeitos visuais e que, aqui, demonstra ter mais interesse no visual de seu filme do que na história que está tentando contar. Aliás, Halle Berry parece não dar sorte com realizadores franceses: este é o segundo trabalho consecutivo no qual o cineasta parece mais interessado nas trucagens do que em sua performance (o anterior foi Na Companhia do Medo, dirigido por Mathieu Kassovitz). Concebendo uma infinidade de tomadas aéreas claramente geradas em computador, Pitof chega ao ponto de criar um plano inexplicável no qual a `câmera` entra na boca de um gato, numa tomada sem o menor propósito que parece ter sido incluída apenas para permitir a realização de mais um efeito visual (e vale dizer que os efeitos são péssimos, em sua maioria: os bonecos digitais que substituem a atriz nas cenas de ação são alguns dos piores já vistos em uma grande produção). Como se não bastasse, o sujeito se revela incapaz de comandar as várias seqüências de ação, que são confusas e nada emocionantes.

Encarnando a vilã Laurel Hedare com uma inexpressividade maior do que a habitual, Sharon Stone prova que continua bonita – embora o uso de soft focus seja tão exagerado que, em certo momento, confesso ter pensado que suas aparições eram, na realidade, seqüências de sonho. Enquanto isso, Benjamin Bratt cria um interesse romântico nada interessante para Halle Berry e Lambert Wilson limita-se a repetir o sotaque e os trejeitos do Merovingian de Matrix Reloaded. Eu ainda poderia citar a chatíssima `melhor amiga da heroína`, interpretada por Alex Borstein, caso não estivesse me esforçando ao máximo para esquecê-la.

Mas o destaque fica mesmo por conta de Berry, que, desde que venceu o Oscar® por A Última Ceia, só participou de um único filme digno de aplausos: X-Men 2 (e, mesmo assim, era apenas um elemento entre tantos). Buscando a sensualidade através da caricatura (como sua mania de sempre encarar os interlocutores com um olhar de baixo para cima), a atriz parece estar numa daquelas aulas de teatro em que o professor insiste para que os alunos finjam ser árvores, nuvens ou bicicletas ergométricas. Assim, a moça inclui vários sons típicos dos felinos em seus diálogos (como o risível `What a perrrrfect idea!`) e chega a saltar pelo apartamento enquanto conversa com a amiga ao telefone. Mas o momento mais constrangedor do longa é aquele em que ela esfrega compulsivamente um novelo de lã no rosto – o que, por si só, já garantiu sua vitória no Framboesa de Ouro 2005.

Além disso, Berry faz questão de evidenciar a surpresa da personagem a cada `grande descoberta` que esta faz sobre seus novos poderes, como se dissesse para o público: `Vejam, eu sei saltar!`, `Vejam, eu sei jogar basquete!`, `Vejam, eu sei usar chicote!` (aliás, eu não sabia que os gatos eram hábeis com chicotes, mas tudo bem: afinal, de acordo com o filme, eles também conseguem andar pelas paredes...). Para finalizar, a atriz comprova algo que todos que assistiram a X-Men já sabiam: ela é incapaz de dizer as tiradas típicas do gênero de forma natural ou interessante (lembrem-se do `Sabe o que acontece com um sapo quando este é atingido por um raio?`) – e, para piorar, os diálogos já não eram dos melhores: quando a vilã diz para a Mulher-Gato que `o jogo acabou!`, esta responde: `Pois adivinhe só... estamos na prorrogação!`.

São momentos como este que, ao despertar o riso, quase transformam Mulher-Gato em um filme que, de tão ruim, torna-se bom. Eu disse `quase`.
``

13 de Agosto de 2004

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