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De Volta para o Futuro
(Back to the Future)
117 min - Drama - 1985 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 29/12/1985
Jovem viaja para o passado e decide unir seus próprios pais, que se separaram.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Robert Zemeckis. Com: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Lea Thompson, Crispin Glover, Thomas F. Wilson, Claudia Wells e James Tolkan.

Já faz um bom tempo que tenho vontade de escrever uma crítica sobre De Volta Para o Futuro. Mas uma crítica, para valer algo, tem que ser escrita quando se vê o filme. Não adianta tentar se lembrar de algo que se viu há semanas ou meses atrás e pensar: `Quais foram as impressões que tive na época, mesmo?` Porém, como eu já havia assistido De Volta... umas quinze vezes, ficava desanimado. Pois bem: hoje resolvi me `obrigar` a assistir toda a trilogia, e aqui estou eu.

É impressionante a capacidade que esta produção de Steven Spielberg tem em me fazer sentir as mesmas emoções todas as vezes em que a assisto: eu rio, vibro, me arrepio, torço como se fosse a primeira vez. E de certa maneira é, já que sempre há uma descoberta, uma sutileza do roteiro que havia passado desapercebida antes (só percebi que o bêbado no banco da praça era o prefeito de Hill Valley em 1955 por volta da quinta vez que assisti o filme).

Marty McFly (Fox) é um típico adolescente americano de classe média dos anos 80: toca em uma banda, tem pais caretas e curte o som no volume máximo. Seu pai, George (Glover), é um derrotado que trabalha como um escravo para seu superior Biff (Wilson). Sua mãe é uma alcóolatra frustrada com o casamento, e seus irmãos, dois inúteis. É quando McFly é chamado por seu amigo, o cientista Emmet `Doc` Brown (Lloyd), para testemunhar seu mais novo experimento: a máquina do tempo.

É claro que agora, mais de 10 anos depois do lançamento do filme, todos sabem o que acontece: Marty volta 30 anos no tempo, no lugar de seu mentor Doc Brown. Lá, ele acaba interferindo no encontro entre seus pais e, o que é pior, sua mãe se apaixona por ele - o que dá um prato cheio para qualquer psicólogo que queira analisar o filme mais profundamente. Agora, ele tem pouco tempo para fazer seus pais se apaixonarem novamente antes que ele desapareça - afinal, se seus pais não se apaixonarem, ele não existirá.

O roteiro de Gale e Zemeckis é extremamente engenhoso, e brinca com praticamente todas as possibilidades que poderiam surgir de um encontro desses. Em certo momento, por exemplo, a futura avó de Marty diz para o rapaz: `Vou ligar para sua mãe e tranquilizá-la.`. Ao que ele responde: `Você não pode! Não tem ninguém em casa... ainda.`

Talvez a fórmula para o imenso sucesso do filme seja o fato de que ele mexe com uma curiosidade que, talvez, seja universal: como eram nossos pais quando jovens? Eram sérios e responsáveis, ou divertidos e relaxados? Quem não adoraria ter a chance de pegar a própria mãe (ou o pai) fazendo exatamente aquilo que, quando mais velha, viria a condenar? E que tal presenciar, ao vivo, todas aquelas velhas histórias de família que estamos cansados de ouvir? (`Conheci seu pai numa festa...`, `Seu pai brigou com o maior sujeito da turma...`, ou mesmo: `Quando saímos em passeata e a polícia chegou...`). Marty McFly é o herói que tem a possibilidade de realizar este sonho, de matar esta curiosidade.

Para o espectador, porém, a viagem não é menos intrigante. É extremamente interessante ver como aqueles personagens frustrados, amargos, eram no frescor da juventude. É divertido ver como mudaram, como seus sonhos não se realizaram. E é curioso ver que ainda podem mudar...

Mas o filme não é apenas uma aventura contagiante: é também uma comédia repleta de diálogos afiados. Quando, por exemplo, o Doc Brown de 1955 pergunta a Marty quem será o presidente dos EUA em 1985 e este responde `Ronald Reagan`, Doc dispara: `Ronald Reagan? O ator? E quem será o vice: Jerry Lewis?`. Só tenho uma dúvida quanto ao roteiro: se os pais de Marty ficaram tão encantados com o seu nome, por que só vieram a batizar o filho caçula com ele, e não o primogênito?

A parte técnica também é fantástica: mesmo uma década depois, os efeitos especiais continuam eficientes. Além disso, a edição de Arthur Schmidt e Harry Keramidas confere um ritmo alucinante às seqüências de ação. Mas o destaque fica mesmo para a música: da canção de Huey Lewis (The Power of Love) à trilha sonora composta pelo grande Alan Silvestri, tudo funciona. Aliás, trilha esta que é uma das melhores já compostas nos últimos 30 anos, pelo menos (já que este é um número que agrada tanto aos roteiristas do filme).

Temos, também, o elenco: é perfeito. Raras vezes vi um exemplo tão eficiente de casting. Todos os personagens `receberam` o desempenho dos atores corretos. Eu, pessoalmente, gosto muito do trabalho de Eric Stoltz (que chegou a filmar algumas cenas como Marty McFly), mas não consigo imaginar ninguém melhor que Michael J. Fox para o papel. Christopher Lloyd também cumpre perfeitamente seu papel como cientista `louco`, e Thomas F. Wilson interpreta um dos meus vilões preferidos do cinema. Mas o destaque fica para Crispin Glover, que criou um retrato perfeito do fracassado que não consegue reagir aos ataques do garotão da turma.

Por último (mas não menos importante), temos a própria cidadezinha de Hill Valley. Ela é, como Bedford Falls (de A Felicidade Não Se Compra), um patrimônio do cinema. As mudanças pelas quais ela passa em 30 anos são, sem dúvida, responsáveis por vários pontos altos do filme.

De Volta Para o Futuro é, em suma, um grande filme que deve ser visto, revisto e rerevisto. Aliás, mal posso esperar para revê-lo ao lado de meus filhos (que ainda nem nasceram) e conferir suas reações às aventuras de Marty. Ou será que foram eles que, voltando para o passado, me fizeram conhecer minha esposa? Posso estar delirando, mas até que seria divertido. Como o filme.
``

5 de Novembro de 1997

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