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O Sexto Dia
(The 6th Day)
123 min - Ação - 2000 (Estados Unidos, Canadá)
Data de Estreia no Brasil: 05/01/2001
Data de Estreia Original: 17/11/2000
Pai de família descobre que foi substituido por um clone, então, decide descobrir o culpado da troca, antes que seja tarde demais.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Roger Spottiswoode. Com: Arnold Schwarzenegger, Michael Rapaport, Michael Rooker, Tony Goldwyn, Sarah Wynter, Rodney Rowland e Robert Duvall.

O último trabalho realmente bom de Arnold Schwarzenegger foi lançado em 1994 e, como não poderia deixar de ser, foi realizado em parceria com seu velho amigo James Cameron. Estou falando, é claro, de True Lies. Desde então, o ator protagonizou uma série de filmes de méritos duvidosos: Júnior, Queima de Arquivo, Um Herói de Brinquedo, Batman & Robin e Fim dos Dias. Neste meio tempo, Schwarzenegger submeteu-se a uma cirurgia cardíaca que o afastou das telonas por dois anos.

Infelizmente, o aguardado retorno deste ícone dos anos 80 à sua forma habitual não aconteceu neste O Sexto Dia. É claro que não estou me referindo à forma física do ator (musculoso como sempre), mas sim ao próprio filme que, ao contrário de O Vingador do Futuro ou O Exterminador do Futuro 2, revela-se morno e sem grandes novidades. Na verdade, este seu novo trabalho chega a reciclar vários elementos de suas empreitadas anteriores, mas sem o mesmo sucesso: nem mesmo as cenas de ação conseguem empolgar.

Em O Sexto Dia, Schwarzenegger encarna Adam Gibson, um piloto de helicóptero que, ao voltar para casa certo dia, descobre que foi substituído por um clone. Para piorar, o sujeito passa a ser perseguido por um grupo de assassinos dispostos a eliminá-lo a qualquer custo, já que ele é a prova viva de que um crime foi cometido - criar clones humanos é algo rigorosamente proibido no futuro retratado neste filme. Agora, Adam deverá descobrir quem o clonou e porque, enquanto tenta proteger sua família e a própria vida.

Apesar de partir de uma premissa interessante, o roteiro (escrito pelo casal Cormac e Marianne Wibberley) não dedica muito tempo ao desenvolvimento da história, optando, ao invés disso, por investir nas cenas de ação e nas piadinhas que são comuns entre os exemplares do gênero (em certo momento, o herói sugere que um dos vilões crie um clone de si mesmo a fim de poder `ir se foder`). Como não poderia deixar de ser, esta decisão acaba prejudicando o ritmo do filme, já que a trama não tem muito a oferecer ao espectador nos momentos em que as explosões e tiroteios não estão acontecendo. Além disso, as `reviravoltas` incluídas ao longo da projeção são absolutamente previsíveis e, assim, ficamos a par do que vai acontecer bem antes que o herói resolva os mistérios propostos pelos roteiristas.

Enquanto isso, as piadas presentes no roteiro se revelam excessivas e, apesar de realmente conseguirem provocar o riso (e justamente por isso), acabam conferindo um tom leve demais ao filme, o que quebra a tensão necessária para manter o espectador interessado no destino do protagonista. Individualmente, as brincadeiras envolvendo a Sim-Amiga, o psiquiatra virtual e as repetidas mortes de um dos capangas são interessantes. Somadas, no entanto, prejudicam a história e destroem os sentimentos de `urgência` e `perigo` sinalizados no início da projeção. No momento em que um dos vilões tem uma de suas pernas decepada e grita `Minhas botas eram novinhas!`, não pude evitar o pensamento de que os roteiristas tinham ido longe demais.

Por outro lado, o filme procura abordar alguns questionamentos interessantes relacionados à clonagem, como a velha indagação sobre a `alma dos clones` e os possíveis excessos cometidos por cientistas que não respeitam as restrições éticas. Na verdade, O Sexto Dia vai além ao indagar quais seriam estas restrições: é certo permitir que um garotinho morra simplesmente porque alguns religiosos não aceitam a clonagem de humanos, o que poderia suprir a demanda de órgão sadios? Aliás, seria correto criar um clone com o único propósito de utilizá-lo como repositório de órgãos? No final das contas, o filme acaba não se aprofundando nestas questões, mas a simples lembrança das mesmas já é um ponto positivo da produção.

Incidentalmente, o filme me fez pensar em um outro lado da discussão: será que valorizaríamos nossas vidas da mesma maneira caso tivéssemos a possibilidade de buscar uma possível eternidade através de nossos clones? O descaso para com a vida manifestado pelos vilões de O Sexto Dia pode parecer estereotipado, mas não deixa de ser interessante: o fato é que muitas pessoas realmente poderiam acabar seguindo uma filosofia do tipo `quebrou, faça outro`, como se a individualidade residisse na aparência ou até mesmo no temperamento, e não nas lembranças e experiências. Sempre acreditei na Ciência e no progresso, mas, às vezes, esqueço-me de que a humanidade não se cansa de provar sua falibilidade, como atesta a trágica memória de Hiroshima.

Pode parecer incrível, mas este novo trabalho de Arnold Schwarzenegger realmente me apresentou a novos ângulos desta interminável discussão. Como exemplar da Sétima Arte, o filme pode até não ser uma obra-prima, mas, pelo menos, tem um tema curioso em seu cerne. O que já é uma grande evolução para o velho Exterminador.
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9 de Janeiro de 2001

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