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O Homem Que Queria Ser Rei
(The Man Who Would Be King)
129 min - Ação - 1975 (Inglaterra, Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 17/12/1975
Data de Estreia Original: 17/12/1975
Dois golpistas precisam defender uma comunidade. Após conquistarem o objetivo, um deles se torna um severo rei.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por John Huston. Com: Sean Connery, Michael Caine, Christopher Plummer, Shakira Caine, Saeed Jaffrey e Karroum Bem Bouih.

Algumas pessoas nunca desistem. Graças a Deus, John Huston era uma destas pessoas. Por mais de 25 anos, o diretor de O Tesouro de Sierra Madre lutou para trazer às telas O Homem Que Queria Ser Rei. Na década de 50 o projeto quase decolou, tendo Humphrey Bogart e Clark Gable nos papéis principais. Contudo, com a morte de `Bogie` (em 57) o filme foi engavetado. Anos depois, outra tentativa - desta vez com Kirk Douglas e Burt Lancaster. Não deu certo. Foi assim que, em 1975, Sean Connery e Michael Caine se tornaram, respectivamente, Daniel Dravot e Peachy Carnehan.

O filme, baseado na história de Rudyard Kipling, não tem nada de original. É a forma com que é contado que torna tudo tão divertido (sim, a palavra é divertido). Daniel Dravot e Peachy Carnehan são dois amigos que firmam um contrato um com o outro: viajar para um país distante, Kafiristan, e ajudar os líderes locais a vencerem seus inimigos. Quando tiverem conseguido seu intento, eles derrubariam estes `líderes` e se tornariam os reis da região. Em caso de perigo, `um deve ajudar o outro` - reza o contrato, assinado por ambos e por uma testemunha: o editor de um pequeno jornal, Rudyard Kipling (Plummer).

E é assim que Huston consegue sua `desculpa` para filmar em locações absolutamente fantásticas, mostrando, entre outras coisas, nuances da cultura asiática (a cena de abertura, em um mercado na Índia, é grandiosa). A quantidade de figurantes utilizada é digna de um épico, e os figurinos são perfeitos (o que já era de se esperar, considerando o talento de Edith Head, vencedora de 8 Oscars e indicada a outros 27 - incluindo O Homem Que Queria Ser Rei).

Sean Connery nunca esteve tão divertido como nesse filme, onde faz uma parceria brilhante com o sempre competente Michael Caine. Vendo o filme, o espectador tem a impressão de que os dois devem ter se divertido à valer durante as filmagens (o que acredito ser verdade), e a química entre os dois é perfeita. Os atores coadjuvantes também são eficientes, desde Christopher Plummer (como Kipling) até Karroum Bem Bouih, como o líder espiritual Kafu-Selim.

As aventuras vividas pelos dois amigos não são daquelas de `tirar o fôlego` da platéia. Não, o objetivo não era este: a diversão era a meta aqui. Entre uma batalha e uma avalanche, o roteiro procura arrancar boas risadas da platéia. E consegue. O Homem Que Queria Ser Rei é um trabalho despretensioso, o que é fundamental: se este filme se levasse a sério demais, correria o risco de cair no ridículo.

Mas os dois amigos também não ficam nada a dever aos heróis de ação: entre atos de pura bravura, eles ainda encontram tempo para dizer frases `viris`, que indicam um total desprendimento frente a um destino sombrio. O curioso, para quem está acostumado a ver Sean Connery como o homem de ação, é constatar que Michael Caine é o cérebro da dupla. E, em alguns momentos, o personagem de Connery nada fica a dever ao Pinky, personagem da série de animação Pinky e Cérebro, que trazia dois ratinhos cuja maior ambição era `conquistar o mundo`.

Aliás, só faltava Connery perguntar a Caine: `O que faremos amanhã, Peachy?`. A resposta, com certeza, seria: `O mesmo que fazemos todas as noites, Danny: tentaremos ser reis!`. E pode apostar que eu estaria sentado em frente à TV para acompanhar as novas aventuras da dupla.
``

12 de Novembro de 1997

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