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Los Angeles - Cidade Proibida
(L.A. Confidential)
138 min - Policial - 1997 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 07/11/1997
Data de Estreia Original: 19/09/1997
Durante os anos 1950, três detetives da corrupta polícia de Los Angeles precisam usar todos os métodos para investigar uma conspiração.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Curtis Hanson. Com: Russell Crowe, Guy Pearce, Kevin Spacey, James Cromwell, Kim Basinger, Danny DeVito.

Pode parecer impossível, mas ainda se pode fazer um ótimo filme noir hoje em dia. Numa época em que o gênero policial foi invadido pelas soluções fáceis, ritmo e ação frenéticos e personagens unidimensionais, Curtis Hanson conseguiu criar uma pequena pérola que já é, sem dúvida, um dos melhores filmes da última década.

Muitos críticos discordaram que a definição `filme noir` se encaixasse em Los Angeles.... Para estes críticos, o filme era um bom policial, e só. Não havia nada de mais. Na dúvida, recorramos à definição da Enciclopédia de Cinema Katz: `... filme noir foi um termo usado para descrever os filmes Hollywoodianos da década de 40 e começo da de 50, nos quais eram retratados o submundo escuro e sombrio do crime e da corrupção. Filmes cujos heróis, bem como os vilões, eram cínicos, desiludidos e, freqüentemente, solitários e inseguros, fortemente ligados ao passado e indiferentes quanto ao futuro. Em termos de estilo e técnica, o filme noir caracteristicamente abusa de cenas noturnas (internas e externas), com cenários que sugerem realismo e com uma iluminação que enfatiza as sombras e acentua o clima de fatalidade.`

Creio que não restam dúvidas. Se Los Angeles... não se encaixa na definição acima, bem... nenhum outro filme se encaixará. Neste filme, Russell Crowe interpreta Bud White, um detetive durão que não admite a violência contra a mulher (o fator `passado`...). Certo dia, seu parceiro é expulso da polícia após se envolver no espancamento de alguns presos. Um dos principais responsáveis pela expulsão é Ed Exley (Pearce) um policial janota extremamente inteligente, capaz de delatar os companheiros de profissão apenas `para o bem da verdade` - uma promoção, na realidade. E temos, ainda, Jack Vincennes (Spacey), um sargento pedante sempre em busca de auto-promoção, o que o leva a participar de prisões `armadas` pelo repórter vivido por Danny DeVito. E, por fim, temos o Capitão Dudley Smith (Cromwell, de Babe - Um Porquinho Atrapalhado), um homem preocupado com a corporação policial e bastante zeloso - até demais - no combate ao crime.

A partir destes cinco personagens complexos, o filme vai se desenrolando e tornando-se cada vez mais denso quando ocorre um massacre em um bar, culminando na morte de 6 pessoas - inclusive o ex-parceiro de Bud White. As investigações deste crime irão acabar cruzando o caminho destes personagens, levando todos eles a situações extremas. A direção é segura e não se desvia do caminho em momento algum. Justamente por tratar de uma história inteligente demais para os padrões atuais de Hollywood, o filme não perde tempo em cenas dispensáveis. Tudo o que o espectador vê na tela importa para o desenrolar da história. E como.

O roteiro de Hanson e Brian Helgeland, baseado no livro de James Ellroy, é extremamente bem elaborado. O clima de tensão vai crescendo aos poucos, à medida em que conhecemos os protagonistas da história e passamos a entender as motivações por trás das ações de cada um deles. Este não é um daqueles filmes superficiais nos quais há o `policial bom e o policial mau`. Não, aqui todos são bons e maus. E é justamente o fato de todos parecerem tão `humanos` que leva o espectador a realmente se importar com o destino de cada um deles.

Mas o roteiro inteligente e a direção segura nada seriam se não fossem as interpretações. Ninguém se destaca. Ou melhor... todos se destacam, sem exceção. São atuações fortes e - como já dito antes - complexas. E ninguém, por incrível que pareça, perde o tom. Um excelente trabalho, sem dúvida. Há uma cena em especial, protagonizada por James Cromwell e Kevin Spacey, que me impressionou particularmente. Mas não devo dizer mais nada, sob o risco de revelar algo importante.

Um último comentário: Kim Basinger realmente tem uma boa atuação neste filme. A prostituta Lynn Brackett é - como os demais - uma personagem ambígua, misteriosa. Não se conhecem suas motivações, seus interesses. Mas, honestamente, não há nada de mais na atuação de Basinger. É correta, e só. Qualquer outro integrante do elenco deste filme merecia mais a indicação ao Oscar (e ao Globo de Ouro, que ela ganhou) do que ela. Para mim, permanece o mistério do porquê deste afã em torno de uma interpretação tão... padrão. Fiquei esperando o filme todo por um grande momento de Basinger que não veio.

Ainda bem que o restante do filme (e da ficha técnica) cumpre o prometido. Los Angeles - Cidade Proibida é, provavelmente, o único filme entre os indicados que merece tanto quanto Titanic o Oscar de Melhor Filme. É uma pena que não possam dividir o prêmio...
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23 de Março de 1998

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