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O Mestre das Armas
(Huo Yuan Jia)
111 min - Ação - 2007 (China)
Data de Estreia no Brasil: 16/02/2007
Huo Yuanjia foi o maior e mais famoso mestre de toda a China, mas nem sempre foi assim. Depois de uma grande guerra, o poder estrangeiro dominou a China. Para acabar com a auto-estima do povo foi criado um torneio para provar a superioridade de seus guerreiros contra os próprios chineses. Só um homem resolveu desafiá-los.
 

Crítica

por Pablo Villaça
Dirigido por Ronny Yu. Com: Jet Li, Shido Nakamura, Dong Yong, Paw Hee Ching, Betty Sun, Nathan Jones, Brandon Rhea, Anthony De Longis, Jean Claude Leuyer, Collin Chou, Masato Harada.

Em 1910, o mestre em artes marciais Huo Yuanjia fundou, na China, a Associação Atlética Jing Wu (ou Chin Woo), que foi fundamental para moldar a prática do esporte no país até os dias de hoje. Tão importante é esta escola que, ao longo dos últimos 35 anos, os três maiores ícones da cinematografia chinesa envolvendo artes marciais a homenagearam em filmes que, em maior ou menor grau, se tornaram marcantes em suas carreiras: Bruce Lee (em A Fúria do Dragão, de 1972), Jackie Chan (em A Nova Fúria do Dragão, de 76) e Jet Li (em Lutar ou Morrer, de 94). Já em O Mestre das Armas, Li volta a honrar a memória de Huo Yuanjia ao interpretá-lo numa cinebiografia que procura abordar alguns dos principais acontecimentos de sua vida.

Infelizmente, talvez “honrar” não seja o verbo apropriado, já que O Mestre das Armas decepciona não apenas como filme de artes marciais, mas também por se distanciar enormemente da maior parte dos fatos estabelecidos sobre a existência de Yuanjia, transformando-o em uma quase caricatura. Escrito por Chris Chow e Christine To, o roteiro tem início em 1910, quando o personagem-título se prepara para enfrentar quatro oponentes sucessivamente em uma arena: um boxeador inglês, um cavaleiro alemão, um espadachim espanhol e um lutador japonês. A partir daí, voltamos 30 anos no tempo a fim de conhecermos a juventude de Huo Yuanjia, desde sua frustração por não ser treinado pelo pai, que queria preservar sua frágil saúde, até sua aclamação como o melhor lutador de sua aldeia. Desejando apenas a fama e o prestígio proporcionados por suas habilidades no esporte, ele passa a aceitar como discípulos todos aqueles que lhe solicitam treinamento – uma falta de discernimento que lhe custará caro, enviando-o em uma trágica jornada de auto-conhecimento.

O arco dramático básico de O Mestre das Armas, aliás, reside justamente na trajetória pessoal de Huo Yuanjia, que, de jovem arrogante e com arraigado espírito competitivo, gradualmente se converte em um lutador cuja principal meta é resgatar a honra da China diante da Europa. Dividido após o fim da dinastia Qing, o país encontrava-se sob forte domínio econômico e político de vários países europeus e também do Japão – algo que destruía cada vez mais a auto-estima do povo chinês, que passou até mesmo a ser chamado de “o doente asiático”. É neste contexto que Yuanjia se torna um ídolo nacional ao desafiar representantes famosos destes países para lutas públicas, vencendo os duelos numa comprovação da força chinesa.

Como se pode observar, esta é uma história naturalmente cinematográfica – e, assim, é lamentável que o diretor Ronny Yu, voltando ao seu país natal depois de comandar Freddy Vs. Jason (além de A Noiva de Chucky e Fórmula 51), julgue necessário apimentar as seqüências de ação através da farta utilização de cabos que transformam os lutadores em criaturas flutuantes, fugindo da sobriedade devida a Huo Yuanjia (aliás, os melhores confrontos são justamente aqueles que se concentram nas habilidades de Jet Li e seus oponentes, ignorando os efeitos visuais). Para piorar, boa parte das lutas vistas em O Mestre das Armas (todas coreografadas pelo veterano Yuen Woo-ping, de Matrix) soam cartunescas por jamais retratarem as conseqüências dos golpes desferidos pelos combatentes – e um deles chega a despencar de uma altura de dezenas de metros sem sofrer qualquer ferimento. Aliás, até mesmo a escolha de determinadas lentes pelo diretor de fotografia Poon Hang-Sang (Kung-Fusão) serve para contribuir para o tom de “comédia” ao deformar levemente, por exemplo, os vários discípulos que se apresentam diante de Yuanjia em um restaurante.

Mas a montagem também apresenta sua parcela de problemas, como ao criar saltos abruptos na narrativa: em determinado instante, estamos acompanhando os esforços de Yuanjia, ainda criança, para iniciar um treinamento solitário; no seguinte, ele já surge adulto, viúvo, pai de uma garotinha e lutador famoso. (Curiosamente, uma das montadoras de O Mestre das Armas é Virginia Katz, que cometeu o mesmíssimo erro em Dreamgirls, lançado no Brasil simultaneamente a este longa.) Para piorar, o filme resolve incluir uma conclusão romântica boba e desnecessária que o enfraquece ainda mais.

Beneficiado por uma direção de arte competente (a recriação de época impressiona pela grandeza dos cenários, que obviamente também contaram com o auxílio de efeitos digitais), O Mestre das Armas traz Jet Li em uma performance irregular, já que, ator naturalmente limitado, ele parece ter se perdido ainda mais pelas constantes mudanças de atitude de seu personagem – e, assim, ele alterna entre sorrisos grandes e ridículos e expressões de intenso sofrimento.

Desta forma, o longa fracassa como exemplar de artes marciais e, o que é ainda pior, como homenagem a um homem que inspirou grandes atletas e atores - incluindo o protagonista desta produção.

Observação: Outra curiosa coincidência entre os lançamentos desta semana: o ótimo ator japonês Shido Nakamura, que aqui vive o honrado lutador Anno Tanaka, também aparece em Cartas de Iwo Jima como o instável tenente Ito.

16 de Fevereiro de 2007

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