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O Pacto
(Seeking Justice)
105 min - Ação - 2012 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 09/03/2012
Distribuidora: Imagem Filmes
A história segue um homem que vê sua esposa ser atacada por bandidos e se envolve com uma organização clandestina de justiceiros.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Roger Donaldson. Com: Nicolas Cage, January Jones, Jennifer Carpenter, Harold Perrineau, Xander Berkeley, IronE Singleton, Guy Pearce.

Ah, Nicolas Cage, seu maluco... Ainda me lembro de uma época em que seus novos projetos eram acompanhados por uma incerteza divertida: será que teremos uma produção intrigante com mais uma performance insana do sobrinho de Francis Ford Coppola? Ou será que esta será uma de suas empreitadas puramente comerciais que costumam lhe arrancar caracterizações ainda mais absurdas? Infelizmente, desde 2009-2010, quando o sujeito apareceu em obras interessantes como Presságio, Vício Frenético e Kick-Ass, já não restam dúvidas: o nome Nicolas Cage significa apenas uma produção rasteira que não se salva nem mesmo por suas interpretações atípicas. E se você acha que 2010 está “logo ali” e que, portanto, o desastre não pode ser tão grande assim, está se esquecendo de que, como os cães, Cage inspira sua própria contagem do tempo – e, neste caso, estamos falando de nada menos do que seis filmes em menos de dois anos: O Aprendiz de Feiticeiro, Caça às Bruxas, Fúria Sobre Rodas, Reféns, O Motoqueiro Fantasma 2 e este O Pacto. E não se preocupe: compreenderei caso tenha que abandonar este texto para lavar os olhos após ler estes títulos.

Desta vez arrastando consigo para o despenhadeiro um elenco que inclui Guy Pearce e a até então ascendente January Jones (X-Men: Primeira Classe), Cage aqui interpreta Will Gerard, cuja esposa Laura (Jones) é estuprada certa noite ao voltar do trabalho. Ainda no hospital, o sujeito é abordado pelo misterioso Simon (Pearce), que se oferece para matar o criminoso, pedindo em troca algum pequeno favor futuro - e quando, seis meses depois, Will recebe instruções para assassinar um pedófilo, é envolvido numa trama de conspiração que poderá custar-lhe a vida.

Partindo de um conceito tolo e transformando-o em algo ainda mais ridículo, o roteiro de Robert Tannen só faz sentido se não dedicarmos um único segundo à análise de sua trama – e basta perceber o tempo que a organização comandada por Simon gasta para incriminar ou aterrorizar inocentes para que cheguemos à conclusão de que não poderia ser tão bem sucedida em “limpar a sociedade” quanto o filme nos leva a supor. Além disso, O Pacto é o típico longa que, depois de se esforçar para estabelecer o protagonista como um homem comum, não hesita em retratá-lo manobrando carros em alta velocidade, lutando de igual para igual com bandidos e manipulando armas de fogo como um autêntico Rambo. Aliás, nem mesmo a velha cena do discurso final do vilão enquanto este se vangloria por derrotar o mocinho é esquecida pelo roteiro.

Encarnando Will como um típico professor de literatura em um projeto de reabilitação de jovens delinquentes (isto é, se por “típico” estivermos falando de professores do sistema público capazes de comprar joias caras e roubar carros luxuosos sem muito esforço), Nicolas Cage não demora a presentear o espectador com um de seus cageismos, quando, com menos de cinco minutos de projeção, já solta um “Who dat?!?!” acompanhado por seus maneirismos de paciente mental. A partir daí, porém, ele se mostra mais contido do que de costume – e mesmo que aqui e ali pareça prestes a nos brindar com mais uma performance alucinada, o fato é que acaba soando como um animal selvagem sob efeito de analgésicos, eliminando a única razão que teríamos para acompanhar a história. Como se não bastasse, Guy Pearce surge no piloto automático, ao passo que January Jones continua a se mostrar uma atriz medíocre, criando aqui uma caricatura de vítima traumatizada que beira o ridículo (“Will, é você?”, ela pergunta ansiosa ao ouvir o marido entrar. Em seguida, emenda: “Trancou a porta? Eu pareço uma louca, né? (pausa) Quero comprar uma arma.” – um diálogo risível que ajuda a naufragar uma intérprete já naturalmente limitada). E não me perguntem o que Jennifer Carpenter faz neste projeto, já que, mesmo relativamente conhecida por Dexter, aqui surge como uma quase figurante.

No entanto, o mais triste é perceber como o cineasta Roger Donaldson atinge o fundo do poço. Mesmo jamais tendo sido o mais consistente dos diretores (Cocktail? O Inferno de Dante?), o sujeito tem sua parcela de acertos (A Experiência, Treze Dias que Abalaram o Mundo) e, assim, vê-lo comandando o que é essencialmente uma produção que deveria ir direto para o home video chega a chocar. O pior, no entanto, é constatar que ele faz jus ao material, rodando as sequências de ação de forma nada imaginativa e criando perseguições rotineiras e sem energia, chegando ao embaraço total ao tentar criar suspense ao enfocar uma barra de cereal que pode ou não ser comprada pelo protagonista. (Não estou brincando; isto é uma coisa que o roteirista realmente escreveu e que Donaldson realmente filmou e que o montador realmente incluiu no corte final e que os produtores – entre eles, pasmem, Tobey Maguire – realmente deixaram ir para as telas de cinema.)

Confirmando a transformação definitiva de Nicolas Cage em Mark Dacascos, O Pacto só não cimenta de vez o fim do ator como artista porque seu futuro envolve um novo projeto com Charlie Kaufman, que já o presenteara com dois excepcionais papéis em Adaptação. O problema é que, como o longa será lançado apenas em 2013, Cage certamente terá tempo suficiente de, antes disso, nos bombardear com quatro ou cinco outros desastres.

08 de Março de 2012

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