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Homens de Preto 3
(Men In Black 3)
100 min - Comédia - 2012 (Estados Unidos)
Data de Estreia no Brasil: 25/05/2012
Distribuidora: Sony
O agente J deve viajar no tempo, para a década de 60, para evitar que o agente K seja assassinado por um alienígena.
 

Crítica

por Pablo Villaça

Dirigido por Barry Sonnenfeld. Com: Will Smith, Tommy Lee Jones, Josh Brolin, Jemaine Clement, Emma Thompson, Michael Stuhlbarg, Nicole Scherzinger, Alice Eve, Bill Hader, Will Arnett.

Lançado em 1997, Homens de Preto surgiu como uma comédia rápida, leve e eficaz que, contando com o estilo excêntrico do diretor Barry Sonnenfeld e com a química surpreendente entre o malandro Will Smith e o sisudo Tommy Lee Jones, conquistou os espectadores com sua inventividade despretensiosa. Cinco anos depois, porém, quando o trio retornou àquele universo, algo havia se quebrado: Sonnenfeld parecia ter perdido o toque após o desastroso As Loucas Aventuras de James West (no qual tentara recriar a mágica com o astro de MiB), Jones soava apenas entediado e Smith vinha de duas tentativas medianas de se estabelecer como ator dramático – e o resultado praticamente enterrou a possibilidade de que uma série de sucesso fosse criada. E, de fato, foram precisos mais dez anos até que este terceiro capítulo chegasse às telas. A boa notícia é que Homens de Preto 3 é um esforço claramente superior ao filme anterior (o que não é difícil, convenhamos); a má é que a franquia perdeu seu vigor e, mesmo simpática, esta continuação surge como um passatempo que é esquecido assim que deixamos a sala de cinema.

Escrito por um batalhão de roteiristas (apesar de apenas Etan Cohen – não confundir com “Coen” – receber crédito na tela), o longa tem início em uma estranha prisão que abriga o ameaçador Boris, o Animal (Clement) – e o desfecho desta sequência de abertura representa uma surpresa e também um dos melhores momentos da narrativa. A partir daí, voltamos a acompanhar os heróis K (Jones) e J (Smith) enquanto o segundo tenta compreender os motivos por trás da rabugice do primeiro, que, mesmo depois de doze anos de parceria, jamais se abre para o colega. É quando Boris volta no tempo e mata K na juventude, levando-o a desaparecer nos tempos atuais e obrigando J a retornar a 1969 a fim de impedir que o companheiro seja apagado da existência.

Demonstrando divertir-se com o conceito da viagem no tempo, o experiente designer de produção Bo Welch acaba se transformando no grande destaque técnico da produção, contrapondo o visual branco, asséptico e moderno da sede dos Homens de Preto na atualidade às cores fortes atiradas nos móveis atípicos que surgem na versão psicodélica do quartel-general dos agentes em 1969. Da mesma maneira, o filme brinca de maneira inspirada com os objetos de cena, trazendo os equipamentos sessentistas dos heróis como trambolhos desajeitados e imensos que dependem de baterias amarradas à cintura ou mesmo de salas inteiras para funcionarem. Além disso, a equipe de Welch inclui nos cenários referências que agradarão os fãs, como o gigantesco retrato do cão Frank no apartamento de J e mesmo uma aparição relâmpago do animal em um cartaz visto em 1969 que anuncia um “cão falante” em um circo que visita a cidade.

Infelizmente, este bom humor não encontra reflexo na forma com que o roteiro explora os personagens e as situações por estes vividas: embora inicialmente pareça disposto a criar incidentes divertidos a partir da personalidade forte de J em um ano no qual o racismo ainda imperava nos Estados Unidos, o roteiro logo se acovarda diante da perspectiva de fazer piadas politicamente incorretas e prefere apostar em gags óbvias que muitas vezes apenas repetem situações vistas nos longas anteriores (geralmente envolvendo conflitos entre J e K). E mesmo que a cena estrelada por um Andy Warhol consciente da artificialidade à sua volta traga algum frescor à narrativa, o fato curioso é que a maior risada do filme se origina não dos personagens principais, mas de uma pequena figurante que, no colo da mãe, diz a fala mais engraçada da projeção.

Não que Will Smith não tente provocar o riso. Aliás, como tenta. Buscando fazer graça com praticamente todos os seus diálogos, que são acompanhados de caretas, olhares irônicos e pausas estudadas para efeito cômico, o ator soa quase desesperado em seus esforços, tornando-se artificial e mesmo aborrecido em vários momentos – e basta observar a naturalidade com que Josh Brolin se comporta ao longo do filme para perceber como sua abordagem é infinitamente mais eficaz que a do protagonista: enquanto Smith tenta criar uma figura divertida, Brolin busca apenas conceber um personagem, permitindo que este faça o resto. Neste sentido, vale dizer, a performance do sujeito é o ponto alto desta continuação: assumindo os maneirismos, o sotaque, a cadência da fala e a voz de Tommy Lee Jones, o ator jamais deixa de convencer como a versão jovem de K, conseguindo também transformá-lo em seu próprio personagem ao vivê-lo com um toque de leveza e quase alegria que faltam ao seu par envelhecido (e Jones, como de hábito, exala autoridade apenas com seu silêncio). E se Michael Stuhlbarg (Um Homem Sério) fascina como o alienígena Griffin, capaz de enxergar várias linhas temporais simultâneas enquanto reage a elas ora com alegria ora com temor, o comediante Jemaine Clement encarna o vilão Boris como uma criatura grotesca que chega a rivalizar com o excelente trabalho feito por Vincent D’Onofrio no primeiro filme.

O que nos traz ao diretor Barry Sonnenfeld, que, com seu senso de humor atípico que constantemente investe no absurdo, volta a buscar aqui uma abordagem que oscila entre o caricato e o excêntrico – e não é estranho, por exemplo, que subitamente ele corte de uma sequência de ação para nos mostrar famílias sentadas diante da televisão enquanto bebem algo em movimentos sincronizados. O que não quer dizer, claro, que isto funcione como gag, pois não funciona. Da mesma forma, sua insistência em trazer os heróis sempre posicionados de frente para a câmera em planos mais fechados surge como uma tentativa clara de transformá-los em figuras grandiosas e marcantes, mas o resultado expõe apenas a artificialidade de sua mise-en-scène.

Dito isso, Homens de Preto 3 ainda consegue divertir graças a Josh Brolin e a alguns instantes de maior inspiração na maneira como a trama envolvendo viagem no tempo é conduzida – e a maquiagem digital do vilão é grotesca na medida certa, ficando mais do lado do divertido do que do asqueroso. Para completar, o terceiro ato funciona como um belo contraponto emocional ao humor do restante da narrativa, apostando em um momento particularmente tocante envolvendo Brolin, Smith e uma criança que acaba provocando um bem-vindo nó na garganta do espectador.

O que comprova, no mínimo, que o filme é bem-sucedido ao fazer com que nos importemos com aqueles personagens.

Observação: o Real 3D convertido é pavoroso, já que Sonnenfeld parece não ter se preocupado com a possibilidade da dimensão adicional, insistindo em uma profundidade de campo mínima que simplesmente não combina com a linguagem do 3D.

23 de Maio de 2012

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