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24/10/13 - 13h38
por Redação Cinema em Cena

Entrevista e reportagem realizadas por Antônio Tinôco e Luísa Gomes.

É inquestionável o bom momento na carreira de Fábio Porchat: além do sucesso do canal virtual Porta dos Fundos, idealizado por ele e mais quatro amigos, o ator também emplacou várias produções que foram sucesso de bilheteria no Brasil. Seu mais novo projeto é a comédia romântica Meu Passado Me Condena – O Filme, em que foi o protagonista ao lado de Miá Mello.

Com direção de Julia Rezende e roteiro de Tati Bernardi, o longa é baseado na série de televisão homônima criada por elas, que estreou no canal Multishow em 2012. Na história, Fábio e Miá se casam após um mês de namoro e decidem passar a lua de mel em um cruzeiro até a Europa. Durante a viagem, ela reencontra o ex-namorado, que está em um relacionamento com uma antiga paixão de Fábio, e os recém-casados passam por uma crise conjugal.

Durante três semanas em alto-mar, a equipe filmou na Bahia, Marrocos e Itália. O transatlântico possuía 3.800 passageiros, sendo que 1.100 eram tripulantes de verdade. Com isso, muitas pessoas que estavam no cruzeiro foram incluídas na produção como figurantes.

Em entrevista exclusiva ao Cinema em Cena, Porchat e Rezende falaram sobre as influências vindas do cinema, o panorama atual das comédias nacionais e a relação da crítica especializada com esse gênero.

A produção é baseada na série de televisão Meu Passado Me Condena. O que foi aproveitado da linguagem televisiva para o filme?

Julia Rezende: Não aproveitamos a linguagem televisiva em si, mas a experiência de já ter trabalhado com o mesmo elenco e com a mesma equipe, porque quase todo mundo que fez a série foi para o filme. Nós já tínhamos uma parceria forte e sabíamos como lidar um com o outro. Eu olho para o Fábio e para a Miá já sabendo o que eles vão propor. Então, é mais isso do que a linguagem televisiva, porque o cinema pede outra linguagem. Se a gente fizesse um longa da mesma maneira que realizamos a série, iríamos entregar um produto que não corresponderia. Quando uma pessoa vai ao cinema, ela fica uma hora e meia focada no que está assistindo. Mas quando está vendo televisão, também está falando no telefone, cozinhando etc. Portanto, é preciso ter um cuidado diferente ao lidar com as duas linguagens.

Nosso site é bastante procurado pelo público cinéfilo que gosta de saber as referências cinematográficas dos artistas. Vocês possuem alguma inspiração forte do cinema clássico ou moderno?

Julia: As minhas referências não são necessariamente da comédia, mas acho que Meu Passado Me Condena – O Filme conversa um pouco com as produções do Woody Allen, porque é possível perceber um caráter politicamente incorreto e um humor mais irônico. Os dois personagens que são funcionários do navio, por exemplo, tem diálogos bastante ácidos. E a gente buscou muitas inspirações estéticas para o filme. Fomos ver longas do Martin Scorsese, como Cassino, porque o navio era praticamente um cassino, com muita cor e luz. Nós fomos buscar essas referências justamente para encontrar uma linguagem cinematográfica para o filme. Portanto, para mim, mais fundamentais do que as referências de comediantes são essas influências de grandes cineastas, de pessoas que eu admiro e que me formaram.

Fábio Porchat: As minhas influências na comédia vêm de Monty Python, um grupo que começou na televisão, mas que também fez teatro e cinema. Eu acho o conjunto muito engraçado e é uma referência para mim como humor de forma geral. Mas para o longa, eu assisti a seriados, como Os Normais, e a várias comédias românticas, como Harry e Sally – Feitos um Para o Outro, Um Dia Especial e A História de Nós Dois. Esse tipo de comédia é diferente, porque não fica restrita à piada. Em Meu Passado Me Condena – O Filme, não é só o Fábio que está em cena: é o Fábio e a Miá. O público tem que torcer pelo casal, que vira uma coisa só. Precisa desejar que os dois fiquem juntos e quando eles brigarem, o espectador tem que ficar do lado dos dois. Ele tem que falar: "o Fábio errou, mas a Miá errou também". Nós queremos ver o público se dividindo, e não preferindo um personagem ao outro, porque isso não é satisfatório. Por isso, é preciso que a dupla tenha uma generosidade, ou seja, os dois atores devem jogar pelos dois ali.

Fábio, você comentou que algumas pessoas se assustam com o seu papel dramático no filme, principalmente quando você chora. Como ator, você sente necessidade de sair um pouco da comédia e interpretar personagens diferentes daqueles que você está mais acostumado?

Fábio: Não, eu sempre procuro por boas histórias. Não importa se é drama, novela ou terror. Inclusive, quero fazer um longa de zumbi ainda na minha vida (risos). Ou seja, desde que seja uma boa história, eu faço. É claro que o humor é uma facilidade que eu tenho, é um mundo que nado de braçadas mais largas. Eu gosto do gênero e, por isso, vou para esse lado. Claro, as pessoas tendem a me rotular um pouco e acham que vou ser da comédia para sempre. Mas penso que vou fazendo tanta coisa que acabo fugindo desse rótulo de modo geral.

Quais elementos de Meu Passado Me Condena – O Filme permitem diferenciá-lo das comédias atuais?

Julia: Acho que a gente nunca teve a intenção de diferenciar o nosso longa de outros. Desenvolvemos algo da maneira como nós queríamos fazer. Acho que às vezes as comédias acabam tendo uma linguagem um pouco mais televisiva, e existe certo mito de que ela não precisa ser bonita. Pensam que não é necessária uma fotografia legal, porque o importante é ser engraçada. Eu não concordo com isso. Comédia nada mais é do que um filme. E todo filme precisa ter um cuidado estético. Se isso é comédia ou drama, não interessa. Tem que ser feito de uma maneira cinematográfica e com equipamentos que correspondam com isso. Eu sempre quero filmar com tudo que eu tenho direito: grua, steady, dolly...

Fábio: Dolly não é o guaraná, só para vocês saberem (risos).

Julia: Ou seja, quero usar tudo que me permita fazer cinema e encontrar essa linguagem.

Fábio: E isso não é só no cinema. O Porta dos Fundos veio mostrar que nós podemos fazer humor com qualidade técnica. Nós tratamos a comédia de uma forma séria e queremos realizá-la bem, porque é difícil ser engraçado.

Julia: Exato. Acho que não existe essa cultura do tosco. Mesmo quando eu vou fazer uma série para o Multishow, quero desenvolvê-la com a melhor câmera dentro do orçamento do projeto. Minha vontade é entregar um seriado que seja bonito e que tenha uma fotografia e um cenário legais. Portanto, acho que essa preocupação deve existir sempre.

Produções como De Pernas para o Ar e Até que a Sorte nos Separe, por exemplo, geralmente vão muito bem nas bilheterias, mas não conseguem ter o mesmo sucesso com a crítica especializada. Vocês acham que isso poderá acontecer com Meu Passado Me Condena – O Filme? É algo que preocupa vocês?

Julia: Da minha parte, e acho que o Fábio concorda comigo, não pensamos nisso. A crítica tende a não gostar de comédias. Por isso, não há razão para criar expectativas e pensar que será diferente conosco. A Ingrid Guimarães (De Pernas para o Ar) é uma ótima comediante e as pessoas adoram o Leandro Hassum (Até que a Sorte nos Separe). Então, eu acho que os críticos tendem a já sair de casa predispostos a não gostar das produções de comédia.

Fábio: Comédia brasileira, não é?

Julia: Isso. E acho que não dá para falar em "comédia nacional dos últimos anos", porque o nosso cinema sempre fez humor. Oscarito e Hugo Carvana realizavam comédia na década de 60 e 70. Ou seja, o país sempre teve essa tradição.

Fábio: Acredito que as pessoas estão se esquecendo disso de um tempo para cá.

Julia: Sim. E eu acho que na retomada do cinema após a ditadura, levou um tempo para os filmes nacionais reencontrarem a comédia. Isso por causa do momento político do país e do próprio cinema. A produção cinematográfica acabou, e quando ela voltou tinha que falar de outros assuntos que eram mais urgentes. Mas acho que a comédia não precisa ser um demérito em si. O que importa é o filme ser bacana. E se for uma comédia bacana, melhor ainda.

Fábio: O bom é que a crítica não influencia em nada o público. As críticas de Cilada.com foram todas péssimas, e o longa fez bastante sucesso entre os espectadores. Mesma coisa com o longa do Hassum, Até que a Sorte nos Separe. Então, eu acredito que a crítica fala para um público muito específico, composto pelas pessoas que assinam o jornal, que leem o caderno de cultura e que leram aquela crítica naquele dia. Ou seja, é algo segmentado e muito diferente do boca a boca, que dissemina as opiniões de forma mais eficaz. Por isso, a pior crítica é a do boca a boca.

Para finalizar, você poderiam falar dos próximos projetos de cada um?

Julia: Ponte Aérea é um projeto que eu estou há mais de três anos escrevendo o roteiro. É uma história sobre um casal formado por um paulista e uma carioca. Quero fazer um retrato da minha geração e de como as pessoas se relacionam. Vou mostrar um pouco dessa coisa do amor líquido: todo mundo querendo se relacionar e procurando namorado, mas quando a pessoa finalmente encontra um parceiro, está sempre sentindo falta do que poderia estar sendo. Ou seja, nós nunca estamos muito satisfeitos com nossos relacionamentos. Ponte Aérea vai começar a ser filmado no primeiro semestre de 2014, e a segunda temporada da série Meu Passado Me Condena estreia no dia 30 de outubro de 2013, no Multishow.

Fábio: O roteiro do longa-metragem do Porta dos Fundos ainda está sendo escrito, mas o filme deve ser lançado ano que vem. Em março de 2014, eu rodo a produção Um Homem entre Abelhas. Eu escrevi a história com o Ian SBF, que é diretor do Porta dos Fundos e que vai dirigir o longa também. É uma tragicomédia: um homem desempregado, interpretado por mim, acabou de se separar da esposa e foi morar com a mãe. Um dia, ele começa a deixar de ver as pessoas. Elas existem, mas o personagem não consegue mais enxergá-las e vai ficando sozinho no mundo.

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Meu Passado Me Condena – O Filme estreia dia 25 de outubro nos cinemas brasileiros. Confira o trailer:

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