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12/02/14 - 17h28
por Manoella Barbosa

direto de Berlim, especial para o Cinema em Cena

Crédito: Manoella Barbosa/Cinema em Cena
Marcelo Gomes e Cao Guimarães

A capital mineira é o pano de fundo do filme O Homem das Multidões, que teve sua première internacional no Festival de Berlim no último sábado, 8 de fevereiro. O filme integra a seção Panorama do festival, voltada para filmes de pegada mais autoral e producões consideradas indie ou arthouse.

O longa de 95 minutos é dirigido pelo recifense Marcelo Gomes (Era Uma Vez Eu, Verônica; Cinema, Aspirinas e Urubus) e pelo cineasta e artista-plástico belo-horizontino Cao Guimarães (Andarilho, Acidente), que ganharam o prêmio de melhor direção no Festival do Rio do ano passado, onde o filme foi exibido pela primeira vez.  O Homem das Multidões completa uma trilogia de Cao Guimarães sobre a solidão, que engloba também os longas A Alma do Osso e Andarilho. Conta a história de um maquinista e uma controladora de trem em Belo Horizonte, ambos solitários, cada um à sua maneira.

Em conversa exclusiva com o Cinema em Cena, em Berlim, os diretores falaram sobre a importância da Berlinale, sobre Berlim, Belo Horizonte e o significado de ambas as cidades no processo de criação do filme.

Cinema em Cena: Como o O Homem das Multidões foi recebido pelo público da Berlinale na primeira exibição, no útlimo sábado?

Marcelo Gomes: As pessoas ficaram muito emocionadas com o filme, e a sala estava cheia, apesar de a sessão ter começado às 22h30. Os alemães riam muito, e se emocionavam durante o filme, eles captaram o humor sutil da história. Talvez por terem aqui uma tradição do cinema mais introspectivo, mais silencioso, o público está em busca dos detalhes.

Cinema em Cena: O primeiro rascunho para o roteiro foi elaborado em Berlim, quando o Marcelo Gomes partipou de uma oficina de roteiro na cidade. Qual é a relação de vocês com a capital alemã?

Cao Guimarães: Sim, o Marcelo recebeu uma bolsa do DAAD [sigla em alemão do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico] e eu vim também para desenvolvermos o projeto juntos. As primeiras linhas do roteiro foram escritas em Berlim, passeávamos muito pelos parques da cidade, pensando nos contornos dos personagens. Andávamos muito de metrô aqui, daí surgiu inclusive a ideia para que um dos personagens fosse um condutor de metrô. Berlim é uma cidade do silêncio, que também transportamos de certa forma para o filme. Temos um forte relação com essa cidade, que agora foi completada, apresentando o projeto pronto onde ele nasceu.

Marcelo Gomes: A profissão do personagem Juvenal, o condutor do metrô, foi muito inspirada no nosso cotidiano aqui em Berlim, foi fruto das nossas observações, de como o sistema de metrô em Berlim funciona, como os condutores trabalham. A síntese da vida do condutor é conduzir a multidão, sem ter contato direto com ela. Ele observa os passageiros de longe. E foi em Berlim onde começamos a pensar nisso, a observar isso de maneira mais atenta. Mas a solidão do nosso condutor, do nosso filme, é uma solidão tropical. Por isso o filme se passa em Belo Horizonte, e não em Berlim.

Cinema em Cena: E por que Belo Horizonte?

Marcelo Gomes: No começo, eu brigava com o Cao, falava para ele que deveríamos filmar em São Paulo. Mas Cao conhece todos os becos, vielas cheiros e cores de Belo Horizonte. Isso contou muito. E também facilidades de infra-estrutura. O Cao tinha contatos com o Metrô de Belo Horizonte, além de que o filme custaria alguns mil reais a mais, caso quiséssemos retratar esse filme em São Paulo. E o resultado, sendo em Belo Horizonte, ficou muito bom. A cidade está espelhada, se insinua no filme o tempo todo.

Cao Guimarães: Apesar de ser belo-horizontino, eu nunca tinha filmado na cidade. Então, esse filme é de certa forma uma homenagem à BH, acho que minha relação com a cidade mudou depois desse filme. Eu friso, porém, que não é um filme sobre Belo Horizonte ou um filme de mineiro para mineiros. É um filme sobre a solidão, e essa pode ser sentida em qualquer lugar do mundo.

Além da Berlinale, O Homem das Multidões foi selecionado para outros quatro festivais de renome: Miami, Toulouse, Guadalajara e o BAFICI, Festival de Cinema Independente de Buenos Aires. O filme tem estreia prevista nas salas de cinema brasileiras para o dia 2 de maio.

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