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O Farol da Praia do Futuro
15/02/14 - 13h47
por Manoella Barbosa

direto de Berlim, especial para o Cinema em Cena


Jesuíta Barbosa em cena de Praia do Futuro, coprodução Brasil/Alemanha

Para muitos profissionais da indústria cinematográfica, a Berlinale é lugar de trabalho duro. Entre uma reunião e outra, a maioria não acha tempo de ver sequer um filme. Assim, La Tercera Orilla, da diretora argentina Celina Murga, foi, com exceção dos filmes brasileiros sendo exibidos no festival, o único a que Eduardo Valente, assessor internacional da Ancine, conseguiu assistir.

Graduado em cinema pela Universidade Federal Fluminense, o funcionário da Agência Nacional do Cinema recebeu em 2002, com seu trabalho de formatura, o curta-metragem Um Sol Alarajnado, o primeiro prêmio da Cinéfondation, competição de filmes universitários do Festival de Cannes. De 2007 a 2011, Eduardo foi curador da Mostra de Cinema de Tiradentes.

Após a sessão, na última quarta-feira, dia 12, Eduardo encontrou um tempinho para uma conversa exclusiva com o Cinema em Cena num café nos arredores do Potsdamer Platz, em Berlim, antes de seguir para o próximo evento profissional.

Cinema em Cena: Eduardo, a sua função como assessor internacional da Ancine exige que você participe de festivais de cinema internacionais, representando o Brasil como entidade cinematográfica. Quais são as peculiaridades da Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim, em relação a outros festivais de cinema?

Eduardo Valente: A Berlinale é, para os profissionais da indústria cinematográfica, o segundo festival mais importante do mundo, perdendo somente para Cannes. Para a Ancine, uma instituição governamental, que apoia o cinema brasileiro e que media encontros com produtores, roteiristas, diretores e qualquer tipo de realizador de cinema, a Berlinale representa um festival grande, importante, decisivo. É um evento central no mercado cinematográfico. Por isso é essencial estar aqui.

Cinema em Cena: A Ancine é responsável pela concessão de cópias legendadas, envio de cópia e apoio financeiro para promoção do filmes participantes da Berlinale. Quanto foi investido na atual participação brasileira no festival?

Eduardo Valente: Eu não saberia dar valores exatos agora. O valor pelas cópias, costuma ser algo em torno de R$ 10 mil por filme. Aqui na Berlinale nós financiamos a concessão das cópias do longa Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e dos curtas Fernando que Ganhou um Pássaro do Mar e Eu Não Digo Adeus, Digo Até Logo. Praia do Futuro, por ser um fruto de uma cooperação com a Alemanha, teve o custo da concessão das cópias arcado pela Alemanha. A Ancine também trouxe 23 realizadores cinematográficos brasileiros para cá, oferecendo um apoio financeiro de R$ 3.700 por pessoa.

Cinema em Cena: Qual é a importância das coproduções para o cinema brasileiro?

Eduardo Valente: O cinema brasileiro ainda é pouco viajado, é pouco conhecido. Ele precisa se internacionalizar mais. Eu percebo com clareza que a coprodução é a única forma de fazer com que obras se internacionalizem, de forma natural. Elas já nascem internacionais. Isso faz muita diferença na carreira de um filme.

Filmes 100% brasileiros, que ganhem visibilidade internacional em festivais de renome, continuarão exceções. Quem quer que seu filme seja visto não somente no Brasil, mas no mundo, precisa coproduzir internacionalmente.

Cinema em Cena: Quais são os maiores empecilhos na realização cinematográfica em coprodução?

Eduardo Valente: Eu não gosto de falar em empecilho, porque para a Ancine a parceria com outros países só é vista como oportunidade, como desafio. Uma correalização requer que os envolvidos aprendam as formas de operar do outro.

Por isso é importante que realizadores visitem festivais, façam muitas reuniões, se encontrem com realizadores de outros festivais, tenham sempre um exposé em mãos, um cartão de visita. É importante que estejam presentes, independente de terem um filme sendo exibido no festival ou não.

Quem não sai do Brasil, não vai ter parceiro internacional. E nisso o Brasil deixou a desejar nas últimas décadas. Uma coprodução envolve confiança, envolve conhecimento de ambas as partes. É como um casamento, e o filho é o filme.

Cinema em Cena: E como você descreveria o casamento Brasil-Alemanha?

Eduardo Valente - crédito foto: Manoella Barbosa/Cinema em CenaEduardo Valente: É muito feliz o atual momento. A Alemanha tem demonstrado cada vez mais o interesse em se tornar um parceiro constante na produção cinematográfica brasileira. Este ano convidamos realizadores brasileiros e alemães para um encontro no último sábado, dia 8, onde cerca de 100 pessoas, entre brasileiros e alemães, participaram.

E, claro, o trabalho do Karim [Praia do Futuro] é realmente o primeiro filme de porte importante realizado entre Brasil e Alemanha em coprodução desde que assinamos o acordo de coprodução, em 2008. Um exemplo como esse, de um filme feito 70% na Alemanha e 30% no Brasil, falado em alemão e em português, tem uma função de farol, de apontar caminhos.

Tanto nós, da Ancine, quanto o pessoal da FFA [sigla em alemão para Filmförderungsanstalt, o Fundo Federal Alemão de Apoio ao Audiovisual] olhamos para isso e fica a certeza, de que, sim, é possível. O Praia do Futuro sinaliza para qualquer realizador que vale a pena coproduzir com o Brasil.

Boa notícia

Quarenta e cinco minutos, um café au lait e dois muffins depois, Eduardo Valente precisou interromper a entrevista para pegar um táxi para o próximo evento. Mas, antes de ir, deixou escapar uma boa notícia: a criação de um Fundo Público de Desenvolvimento de Projetos Brasil-Alemanha, que deverá ser anunciado oficialmente em alguns meses.

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