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O Guarda e Berlim
07/11/14 - 23h16
por Manoella Barbosa

A GENTE - Divulgação
Cena de A Gente, de Aly Muritiba

Baiano, formado em história, Aly Muritba foi agente penitenciário antes de se tornar cineasta. Ganhou o prêmio Global Filmmaking do Festival de Sundance em 2013 com o roteiro do longa Para Minha Amada Morta, já em finalização. O Festival de Cinema de Berlim sinalizou interesse no projeto (um dos curadores do festival escolheu o corte do filme para ser exibido para ele em sessão fechada, durante o Programa “Encontros com o Cinema Brasileiro”, organizado pela ANCINE). Não seria exagero dizer que a probabilidade de ser exibido na edição de 2015 do evento é grande.

Com o curta A Fábrica, Aly foi semifinalista no Oscar 2013 na categoria Melhor Curta. É um dos diretores do festival Olhar de Cinema, em Curitiba, e fundou a produtora Grafo Audiovisual em 2007, administrada por ele até hoje.

O Cinema em Cena conversou com o roteirista, diretor e produtor em Berlim, onde Aly apresentou o filme A Gente dentro do Festival Première Brasil, que acontece de 29 de outubro a 9 de novembro e reúne os destaques do Festival do Rio de 2013.

Aly Muritiba: Oi! Já andei hoje pra tudo quanto é canto, suei, vi um monte de coisa. Cidade incrível, mas nunca moraria aqui.

Cinema em Cena: Aly, eu já fiz esta pergunta para o Fernando Coimbra e a Caru Alves de Souza, agora repito para você. Qual foi o último filme a que você assistiu?

Aly Muritiba: Foi Serra Pelada, do Heitor Dhalia. que passou aqui no festival em Berlim. O filme é uma tentativa de se fazer cinemão no Brasil. É importante fazer cinemão no Brasil, explorar novoa gêneros, e o mérito do filme está aí.

Cinema em Cena: Como que um agente penitenciário vira um prodígio do cinema brasileiro, Aly?

Aly Muritiba - DivulgaçãoAly Muritiba: É doido, né? Eu saí da Bahia, fui morar em São Paulo. Lá conheci minha atual esposa e mãe de meus dois filhos, uma bióloga paranaense. A família dela é de Curitiba, acabamos nos mudando pra lá. Trabalhei como bombeiro e como agente penitenciário antes de me tornar cineasta. E nem cheguei a concluir o curso de cinema.

Cinema em Cena: Como os seus colegas de trabalho, os agentes penitenciários, e os próprios detentos reagiram ao teu trabaho como cineasta? Você dirigiu uma trilogia sobre o sistema penitenciário brasileiro, composta pelos documentários A Fábrica (2011, curta), Pátio (2013, curta), A Gente (2014, longa). Uma trilogia do cárcere.

Aly Muritiba: Sim, trabalhei sete anos no sistema penitenciário paranaense. O importante, quando se quer desenvolver este tipo de trabalho, é conquistar a confiança, tanto dos colegas de trabalho quanto dos detentos. Contratos não valem muita coisa ali dentro, e sim a palavra dada. Se falo para um detento que o rosto dele não será mostrado na versão editada do filme, eu tenho que me ater a isso, claro.

Conversei com “presos-chave“, que me ajudaram a convencer os outros detentos a participar do projeto. Foram oito meses de filmagens de A Gente. O que ajudou também foi a nomeação para o Oscar com A Fábrica. O pessoal já me conhecia, já sabia como era a minha forma de trabalhar. Eu era “o guarda que foi semifinalista do Oscar” e tal. Isto ajudou bastante.

Cinema em Cena: Quais são os teus projetos para 2015? Será que nos vemos em Berlim?

Aly Muritiba: Estou trabalhando pra isso! O Para Minha Amada Morta está em processo de pós-produção agora, meu mais novo projeto de longa. Estamos fazendo o desenho de som, tratamento de cor. O corte do filme já foi assistido por alguns curadores e delegados de festivais de cinema europeus, entre ele um da Berlinale, o Christoph Terhechte, que também selecionou o Hoje Eu Quero Voltar Sozinho para a Berlinale deste ano. E olha a trajetória incrível deste filme desde então. Então, eu assumo que o meu foco é mesmo estrear em alguma sessão da Berlinale. De verdade, de verdade. Eu adoraria, é o que eu estou mirando. Seria lindo para mim.

Leia aqui a entrevista com Caru Alves e Fernando Coimbra.

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